O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira, 23, que Teerã não pretende se render na guerra contra os Estados Unidos. Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o iraniano defendeu a diplomacia para encerrar o conflito, mas também fez novas acusações contra os governos norte-americano e israelense.
A delegação dos Estados Unidos deixou o plenário no início da fala de Pezeshkian. O episódio ocorreu um dia depois de o presidente Donald Trump defender a ofensiva contra o Irã e afirmar que a ação militar impediu Teerã de obter uma arma nuclear.

Trump também advertiu que poderia “aniquilar a República Islâmica” caso não houvesse um acordo para encerrar a guerra.
Pezeshkian afirmou que modificou parte de seu discurso depois da fala de Trump. O presidente iraniano rejeitou as acusações de terrorismo feitas contra seu governo e tentou transferir a responsabilidade pelos ataques para os EUA e Israel. Segundo ele, os dois países seriam os “verdadeiros” terroristas e teriam como alvo civis.
As declarações fazem parte da tentativa de Teerã de apresentar sua reação militar como resposta às ações de Washington e Jerusalém. Pezeshkian também afirmou que o campo de batalha não resolverá questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Irã ameaça rota estratégica de petróleo
O presidente iraniano também abordou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas internacionais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Antes da guerra, cerca de um quinto desses produtos passava pela região.
Pezeshkian criticou a presença de frotas estrangeiras no estreito e afirmou que Teerã não aceitará uma situação em que outros países utilizem a rota enquanto o Irã tenha seu acesso restringido.
O iraniano declarou ainda que não considera os países do Golfo Pérsico seus rivais, embora o Irã tenha atacado essas nações durante o conflito. Pezeshkian também afirmou que não haverá paz no Oriente Médio sem uma solução para a questão palestina e voltou a acusar Israel de cometer crimes em Gaza.
O discurso ocorreu um dia depois de uma reunião de três horas entre o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o chanceler iraniano, Abbas Aragchi. O encontro, realizado na terça-feira, 22, tratou de possíveis caminhos para o encerramento da guerra.