O Senado brasileiro tem 81 assentos, mas apenas 54 estarão em disputa nas eleições de 2026. Isso ocorre porque o mandato dos senadores é de oito anos, ao contrário do de deputados federais, que dura quatro.
As eleições para Câmara e Senado acontecem simultaneamente a cada quatro anos. A alternância das vagas em disputa impede que o Senado permaneça inalterado por oito anos e, ao mesmo tempo, garante estabilidade maior aos eleitos para a Casa.
Câmara e Senado no Brasil
O Brasil adota o sistema bicameral; por isso, existem Câmara e Senado. São duas Casas que participam do processo legislativo, cada uma com funções de representação próprias.
No Senado, cada Estado e o Distrito Federal contam com três representantes. A lógica é assegurar que todas as unidades da Federação tenham peso igual no processo decisório. Na Câmara, o desenho é diferente.
Apesar do mandato de quatro anos, o número de deputados federais é definido proporcionalmente à população de cada unidade da Federação. Mas essa proporcionalidade sofre distorções: nenhum Estado pode ter menos de oito deputados nem mais de 70. Como consequência, unidades com baixa população acabam super-representadas, enquanto as mais populosas ficam sub-representadas.
Roraima, por exemplo, tem cerca de 740 mil habitantes — menos de 100 mil pessoas para cada deputado. Em São Paulo, são aproximadamente 46 milhões de moradores, o que significa mais de 600 mil paulistas para cada representante na Câmara.
No fim das contas, é fato: tanto em São Paulo quanto em Roraima é mais fácil se eleger deputado que senador. Contudo, seja qual for o Estado, a vaga no Senado acaba tendo vantagens extras.
Por que tentar?
Primeiramente, o voto tem mais peso: ele é um entre 81. Na Câmara, hoje, é um entre 513. Além disso, como o mandato dura oito anos no Senado, o parlamentar tem chance de participar de uma eleição majoritária (governo do Estado ou Presidência da República) sem o risco de desemprego em caso de derrota, uma vez que não precisa abrir mão do cargo para participar da disputa.
Isso acontece, por exemplo, com a senadora Soraya Thronicke. Ela conquistou a vaga em 2018, na esteira da eleição do presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, rompeu com o ex-aliado para disputar o controle do Planalto. Ambos perderam, mas ela retornou ao Senado com todas as imunidades e demais vantagens que a cadeira oferece.
Entre elas, todo senador elege consigo dois suplentes. Eles funcionam como vices: assumem se, por algum motivo, o cabeça de chapa (senador eleito) deixar a Casa antes do fim do mandato. Muitas vezes, essa posição é oferecida a aliados impopulares, quase desconhecidos pelos eleitores. É uma grande moeda de troca por poder político para o parlamentar eleito.