O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de relatório da Polícia Federal sobre a relação do magistrado com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em vídeo publicado no X, o parlamentar reuniu mensagens, contratos e outros elementos mencionados no relatório da PF. Nikolas também criticou a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu ao STF a anulação do relatório.
“Explique os encontros, explique as mensagens, explique o contrato, explique os prints, explique o acesso ao Vorcaro”, afirmou Nikolas. Na sequência, dirigiu-se ao ministro: “Enquanto isso não estiver completamente esclarecido, saia da cadeira de ministro e deixe o Brasil investigar”.
O relatório da PF tem 218 páginas e foi produzido a partir da análise de um celular apreendido de Vorcaro. A corporação ressalvou que o trabalho não é conclusivo e que outros aparelhos ainda precisam passar por perícia.
Entre os registros analisados estão mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. Em uma delas, pouco antes da prisão do banqueiro, aparece a pergunta: “Acha que 2ª já tenho que estar fora?”
Nikolas questionou a relação que permitia a Vorcaro recorrer ao ministro. “Não existe prova até aqui que Moraes tenha atendido eventual pedido, mas isso não resolve a pergunta central: por que Daniel Vorcaro achava que podia pedir isso ao ministro do Supremo? Que relação é essa? Que ambiente de poder é esse, que República é essa?”, disse.
O deputado também citou contratos firmados entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Um dos acordos previa R$ 108 milhões. Outro, com a Viking Participações, envolvia R$ 50 milhões.
Outro ponto mencionado por Nikolas são metadados de um documento que indicam um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última edição. O escritório de Viviane afirmou que Moraes foi consultado para verificar possíveis impedimentos legais relacionados ao contrato.
O parlamentar ainda mencionou registros sobre aeronaves e cartões do Banco Master destinados a dois filhos do ministro. Segundo o escritório, os cartões não foram utilizados.
Nikolas também criticou Gonet pelo pedido de nulidade do relatório. O PGR argumentou que a atuação de Mendonça apresenta irregularidades e pediu ao Supremo a anulação das provas obtidas a partir da investigação.
O deputado afirmou ter protocolado um pedido de afastamento cautelar de Moraes no STF e também assinou um novo pedido de impeachment contra o ministro.