O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou nesta quinta-feira (3), o presidente Lula (PT) de tentar vender aos trabalhadores uma promessa sem apresentar os possíveis impactos econômicos da proposta que acaba com a escala 6×1.
Em publicação nesta quinta-feira (3), Marinho classificou a defesa do fim da jornada de “golpe da picanha 2” e afirmou que a redução do número de dias trabalhados, sem diminuição dos salários, terá consequências para empresas e trabalhadores.
“Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado. Você está aplicando o golpe da picanha 2, tentando fazer o povo acreditar que é possível reduzir a jornada sem redução de remuneração e que isso não terá consequências para todos”, escreveu o senador.
Na avaliação de Marinho, o impacto da mudança poderá ser repassado aos consumidores e afetar o mercado de trabalho.
“O custo da sua irresponsabilidade será pago pelo trabalhador, que vai encontrar preços mais altos, empresas fechando, desemprego e um empurrão para a informalidade”, afirmou.
O senador também atacou o presidente diretamente e acusou o petista de priorizar um projeto eleitoral.
“Você é um ladrão da esperança. Tem um projeto de poder e não um projeto de país”, escreveu.
Ao final da publicação, Marinho fez referência a uma declaração atribuída a Lula sobre sua disposição para vencer disputas eleitorais.
“Eu sei que você já disse que faria o diabo para ganhar as eleições, o problema é que quem vai comer o pão que esse diabo amassou é o trabalhador.”
Lula acusa oposição
A reação de Marinho ocorreu depois de Lula responsabilizar a oposição pelo atraso na tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1.
O presidente afirmou que os oposicionistas atuaram para impedir o avanço da proposta no Senado e destacou que Marinho é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial.
“Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu Lula.
O petista defendeu a manutenção dos salários mesmo com a redução da jornada e comparou as críticas à proposta às reações contrárias registradas em outras conquistas trabalhistas.
“Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º. Uma história que se repete desde os tempos do fim da escravidão”.
Lula também afirmou que a escala atual prejudica a qualidade de vida dos trabalhadores e defendeu a ampliação do período de descanso.
“O que quebra de verdade é a saúde mental do trabalhador com essa escala. O que quebra qualquer família é a sensação de não poder acompanhar os filhos crescerem. Viver para trabalhar, e não ter vida além do trabalho. Desmotiva. Mina a produtividade. Os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6×1!”
PEC avançou no Senado
A Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada de trabalho foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira (2). O texto estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.
Marinho foi um dos senadores que registraram voto contrário à proposta na comissão. Além dele, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO) se posicionaram contra o texto.
A proposta ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo plenário do Senado. Para avançar, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis.
A votação em plenário, contudo, não ocorreu nesta semana. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou que a análise deverá ficar para depois do primeiro turno das eleições.