O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se queixou de colegas em discurso no plenário nesta quinta-feira após virar alvo de uma ofensiva de parlamentares por resistir aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem citar os nomes dos críticos, Alcolumbre afirmou que recebe “ofensas” e “agressões” diariamente. O senador também acusou adversários de usar o confronto político como estratégia eleitoral e cobrou propostas para áreas como educação, transporte, agricultura e infraestrutura.
“Só está piorando. E a piora disso vai se agravar porque querem ganhar, dia 4, a eleição. Eu gostaria de ouvir uma proposta sobre o futuro da educação no Brasil, do transporte, para tirar as carretas das estradas, para os portos funcionarem melhor, para nossa agricultura ser fortalecida. Não tem proposta para o Brasil, tem proposta para a eleição”, afirmou.
O presidente do Senado disse que divergências políticas não deveriam resultar em ataques pessoais e afirmou que manterá sua posição caso não seja convencido pelos críticos.
“Não precisa me agredir. Só discorda e tenta convencer a maioria de que tu está certo. Se me convencer que eu estava errado, tudo bem. Se não me convencer, vou continuar com a minha posição”, disse.
Alcolumbre também destacou a posição que ocupa no comando do Legislativo e afirmou que as críticas não consideram o trabalho realizado pelo Senado.
“Nós somos três chefes de Poderes nesse país, e eu sou o chefe de um Poder, eleito pelo voto popular.”
Em outro momento, o senador voltou a reclamar dos ataques recebidos.
“É muito comum que as pessoas atrás dos celulares não vejam o que fazemos para o Brasil. Já desabafei aqui sobre as ofensas que recebo todos os dias. É muita ofensa e agressão e não conseguimos nos defender. As pessoas falam o que querem”, disse.
Pressão por impeachment de Moraes
A reação ocorre após novas revelações sobre a relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Na terça-feira, um relatório da Polícia Federal veio a público com mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro durante a crise da instituição.
Segundo o material, o banqueiro buscava informações sobre o avanço das investigações e fazia pedidos diante do risco de medidas contra o banco. As mensagens também mostram Vorcaro perguntando a Moraes se deveria deixar o país antes de ser preso.
Alcolumbre já indicou a aliados que não pretende dar andamento, neste momento, aos pedidos de impeachment contra Moraes. Na quarta-feira, o presidente do Senado também saiu em defesa do ministro após cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na ocasião, Alcolumbre citou o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu recursos associados a Vorcaro.
“Eu vou voltar para a pauta porque, senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar: todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes”, disse.
A declaração foi uma referência a Flávio, que havia cobrado o presidente do Senado no plenário. Vorcaro havia se comprometido a financiar a produção com US$ 24 milhões, cerca de R$ 130 milhões. Em setembro de 2025, houve um repasse de US$ 1,6 milhão ao fundo norte-americano que administrava recursos destinados ao filme.
Alcolumbre também vira alvo
A disputa avançou nesta quinta-feira para o próprio comando do Senado. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou ter protocolado uma denúncia contra Alcolumbre e afirmou que a medida pode abrir caminho para uma análise sobre seu afastamento provisório da presidência da Casa.
As críticas ocorrem às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Alcolumbre atribuiu parte da ofensiva ao calendário eleitoral e afirmou que parlamentares passaram a explorar o confronto para conquistar votos.
“Se eu fosse só um senador, falaria muita coisa naquele microfone aqui, inclusive contra colegas nossos que ficam fazendo ataques só para ganhar eleição: “Vota em mim, que eu tive coragem de agredir o presidente Alcolumbre”. É muito difícil o que estamos vivendo. O que estão fazendo com a honra das pessoas é inimaginável”, afirmou.
Apesar da ofensiva, o movimento contra Alcolumbre não significa, neste momento, uma ameaça concreta à permanência dele na presidência do Senado. O senador mantém apoio de diferentes bancadas e influência sobre a Casa.