A Netflix deve concentrar quase metade da receita gerada pelos serviços de streaming de vídeo na América Latina em 2026, mesmo reunindo apenas cerca de um terço das assinaturas da região. A projeção é da consultoria Omdia, que apresentou suas estimativas durante a Mipcom, evento internacional da indústria audiovisual realizado em Cannes, na França.
Segundo o levantamento, a plataforma deve encerrar o ano com 63,8 milhões de assinaturas, enquanto o mercado latino-americano deverá alcançar 190,7 milhões de contratos.
Isso significa que a Netflix terá aproximadamente 33,5% das assinaturas, mas poderá responder por uma fatia próxima de 50% da receita do segmento. A diferença demonstra que a liderança financeira de uma plataforma não depende apenas da quantidade de contratos.
Netflix tem um terço das assinaturas, mas quase metade do faturamento
As estimativas mostram a força comercial da Netflix em um mercado que reúne diferentes serviços de vídeo sob demanda.
Embora as demais plataformas concentrem, juntas, cerca de dois terços dos contratos projetados para 2026, a Netflix deve ficar com uma participação proporcionalmente maior na receita de assinaturas.
Participação projetada na quantidade total de assinaturas de vídeo on-line.
Assinaturas de streaming previstas na região
A empresa oferece diferentes modalidades de contratação, incluindo planos mais baratos que exibem anúncios. Esse modelo permite combinar a receita das assinaturas com valores obtidos por publicidade.
Para os concorrentes, os números indicam que aumentar a base de usuários não é suficiente, por si só, para alcançar a mesma participação financeira da líder do setor.
Mercado de entretenimento deve movimentar US$ 62 bilhões
O levantamento da Omdia prevê que o setor de mídia e entretenimento da América Latina movimentará US$ 62 bilhões em 2026, crescimento estimado de 15,4% em relação ao ano anterior.
Desse total, aproximadamente US$ 35 bilhões devem vir do segmento de vídeo on-line, enquanto a televisão tradicional deverá movimentar US$ 16 bilhões.
As projeções mostram a crescente importância das plataformas digitais na economia audiovisual latino-americana, embora a televisão convencional continue movimentando valores expressivos.
América Latina pode superar 243 milhões de assinaturas até 2031
A expansão do streaming deverá continuar nos próximos anos. A Omdia estima que a região passe dos 190,7 milhões de contratos previstos para 2026 para 208,7 milhões em 2027.
Em 2031, a projeção chega a 243,5 milhões de assinaturas, crescimento de aproximadamente 27,7% em relação ao volume esperado para 2026.
Para a Netflix, a expectativa é que a base regional avance de 63,8 milhões de contratos em 2026 para 73,7 milhões em 2031.
Parte dessa expansão está relacionada à estratégia de oferecer planos com publicidade, que buscam alcançar consumidores mais sensíveis ao preço e diversificar as fontes de faturamento.
Falta de internet ainda limita expansão do streaming
Apesar do crescimento projetado, a conectividade continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar o alcance dos serviços digitais na América Latina.
Segundo os dados apresentados pela Omdia, a banda larga alcança 53% dos domicílios latino-americanos.
A televisão tradicional, por sua vez, estava presente em 91% dos lares da região em 2025. No mesmo ano, os serviços de vídeo sob demanda por assinatura alcançavam 35% dos domicílios.
Esses indicadores mostram que a expansão do streaming depende não apenas da oferta de conteúdo e dos preços das assinaturas, mas também da ampliação do acesso à internet.
Para 2026, a projeção de quase metade da receita regional nas mãos da Netflix reforça a posição comercial da empresa em um mercado que continua crescendo, mas ainda apresenta grandes diferenças de acesso e consumo.
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