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Conselheiro da OAB cobra posição da entidade sobre decisão de Gilmar

Marcelo Tostes questiona decisões judiciais que alteraram as regras do debate presidencial na Globo

Marcelo Tostes cobra posição da OAB sobre decisões envolvendo o debate da Globo. / EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na quinta-feira (1º), às vésperas do primeiro turno das eleições, levou o conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcelo Tostes a cobrar uma manifestação da entidade.

Para Tostes, as sucessivas decisões judiciais que alteraram as regras do programa levantam questões relacionadas à liberdade de imprensa, à segurança jurídica e ao direito do eleitor à informação.

OAB e a autonomia editorial

A controvérsia começou após uma decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia anunciado que não participaria do debate.

A Globo havia definido previamente, junto às campanhas, que o espaço destinado aos candidatos ausentes permaneceria no cenário.

Tostes afirmou que a decisão também deveria ser analisada sob a perspectiva da autonomia editorial das emissoras.

“É preciso ter muita cautela quando decisões judiciais passam a interferir em regras editoriais previamente estabelecidas por uma emissora para a realização de um debate”, declarou o conselheiro.

O advogado também questionou a imparcialidade da decisão, citando o fato de Estela Aranha ter declarado apoio a Lula em 2022 e ocupado cargos no governo federal antes de chegar ao TSE.

Na sequência, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, do partido Missão, no debate da Globo. A decisão ocorreu horas antes do programa e contrariou decisões anteriores que haviam negado o pedido do candidato.

Após as mudanças, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria do debate. A Globo acabou cancelando o programa.

Tostes questiona silêncio da entidade

Diante do episódio, Tostes criticou a ausência de manifestação da OAB e defendeu que a entidade participe da discussão sobre os limites da atuação das instituições.

“É legítimo esperar que a instituição se posicione e participe do debate público sobre os limites da atuação das instituições”, afirmou.

Para o advogado, o episódio vai além do cancelamento do programa. Segundo Tostes, um debate realizado às vésperas da eleição oferece ao eleitor uma oportunidade de confrontar ideias, propostas e posicionamentos dos candidatos.

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