Lula chega ao quarto mandato com filho e aliados na mira da PF

Lulinha é alvo de três inquéritos, ex-chefe de gabinete aparece nas apurações do INSS e caso Banco Master atinge aliados do presidente.

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Lula sentado à mesa, com as mãos entrelaçadas diante do rosto e um microfone à sua frente.
Lula inicia novo mandato com filho e aliados na mira da Polícia Federal. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

Reeleito para mais quatro anos no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciará seu quarto mandato com o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na mira de três inquéritos da Polícia Federal (PF). As investigações por suspeitas de corrupção e tráfico de influência se somam a apurações que alcançam um ex-chefe de gabinete da Presidência e aliados políticos envolvidos nos desdobramentos dos casos INSS e Banco Master.

A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de domingo (25), garantiu a continuidade do petista no poder. O presidente recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado eleitoral, porém, não altera o andamento dos procedimentos policiais que atingem pessoas próximas ao chefe do Executivo.

Lulinha enfrenta três inquéritos por corrupção e tráfico de influência

A Polícia Federal conduz três investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção, tráfico de influência e possíveis articulações destinadas a favorecer negócios privados dentro do governo federal.

Um dos principais pontos examinados é a relação do filho do presidente com a lobista Roberta Luchsinger. A PF busca esclarecer se os contatos mantidos entre ambos foram utilizados para beneficiar interesses empresariais junto à administração pública. A defesa de Lulinha nega irregularidades.

Joias de diamantes e empréstimo de R$ 249 mil envolvem ex-assessor de Lula

As apurações também alcançam Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. Ele aparece nas investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em razão de suas relações financeiras com Roberta Luchsinger.

Conversas examinadas pelos investigadores revelam que a lobista comprou joias de diamantes e presenteou o antigo auxiliar de Lula. Marcola também declarou ter recebido um empréstimo de R$ 249 mil de Roberta, apresentado por ele como justificativa para as transações financeiras.

O envolvimento de um ex-integrante da estrutura presidencial nas apurações tornou as relações com a empresária um dos pontos de atenção da investigação. Lula saiu publicamente em defesa do antigo assessor e do próprio filho, afirmando acreditar na inocência dos dois.

O presidente também declarou que as investigações deveriam prosseguir e negou qualquer interferência no trabalho policial. O 40graus já havia noticiado as declarações de Lula em defesa de Lulinha e Marcola diante dos repasses financeiros investigados.

Encontro fora da agenda com Vorcaro amplia exposição do governo no caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master acrescenta outra frente de desgaste ao entorno presidencial. Lula recebeu Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira, em 2024, em um encontro que não constava da agenda oficial do presidente e ocorreu antes da divulgação pública das suspeitas de fraude.

Durante a campanha eleitoral, Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre relações com o ex-banqueiro e possíveis irregularidades envolvendo o caso. As investigações sobre o Master alcançam políticos de diferentes partidos, incluindo integrantes da base de apoio do governo.

Na reta final da disputa presidencial, foi divulgado um áudio no qual Vorcaro afirma ter autorizado a liberação de recursos para financiar um documentário sobre Lula. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, negaram que o empresário tivesse prestado depoimento ou entregue documentos relacionados ao suposto financiamento.

Jaques Wagner deixa liderança do governo após ação da PF

Entre os aliados atingidos pelos desdobramentos do caso Master está o senador Jaques Wagner (PT-BA), uma das figuras mais próximas de Lula no Congresso Nacional. A Polícia Federal realizou uma ação envolvendo o parlamentar no âmbito das investigações sobre o banco.

Wagner, reeleito em 2026, nega qualquer irregularidade. O episódio teve consequências políticas diretas: depois da ação da PF, o senador deixou a liderança do governo no Senado, afirmando que a decisão foi tomada de “comum acordo”.

A saída ocorreu depois de uma campanha em que Lula dividiu palanque com Wagner na Bahia e pediu votos para o aliado. Com o quarto mandato assegurado, o presidente terá de administrar também os efeitos políticos de investigações que já alcançaram integrantes de seu círculo familiar, antigos auxiliares e nomes centrais de sua base no Congresso.

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