Israel confronta Lula após reeleição e relembra comparação com Holocausto

Chanceler israelense acusa presidente de agir contra interesses do país, defende Flávio Bolsonaro e retoma crise diplomática iniciada em 2024.

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Homem de terno preto e gravata vermelha, com a bandeira de Israel ao fundo, durante videoconferência.
Gideon Sa’ar, ministro das Relações Exteriores de Israel, durante videoconferência. Foto: Reprodução/X.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mal havia sido confirmada quando o governo de Israel voltou a confrontar o presidente brasileiro por suas declarações sobre a guerra na Faixa de Gaza. Nesta segunda-feira (26), o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa’ar, resgatou as acusações de genocídio feitas pelo petista e a comparação entre a ofensiva militar de Israel e o Holocausto, episódio que provocou uma das mais graves crises diplomáticas entre os dois países.

Em publicação na rede social X, o chanceler afirmou que Lula atua contra os interesses israelenses e criticou dirigentes que desprezam aliados de Israel enquanto demonstram simpatia por seus adversários. A manifestação ocorreu um dia depois da vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL), que mantém relações próximas com autoridades israelenses.

Sa’ar lembrou que o presidente brasileiro acusou Israel de cometer genocídio em Gaza e associou as operações militares contra o Hamas ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. A comparação já havia provocado uma reação diplomática contundente do governo de Benjamin Netanyahu.

Israel não esqueceu comparação de Lula com o Holocausto

O confronto entre os dois governos se agravou em fevereiro de 2024, quando Lula comparou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto. Israel reagiu declarando o presidente brasileiro persona non grata e acusando-o de antissemitismo.

A crise ultrapassou o campo das declarações. Desde então, as relações diplomáticas entre Brasília e Jerusalém sofreram sucessivos desgastes, especialmente pelas críticas do governo brasileiro à atuação de Israel na guerra desencadeada pelos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Em agosto de 2025, o governo Netanyahu anunciou o rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil. A medida ocorreu depois que o Palácio do Planalto deixou de conceder o agrément, autorização necessária para a nomeação de Gali Dagan como embaixador israelense em Brasília.

Na ocasião, Israel acusou o governo brasileiro de adotar uma postura crítica e hostil em relação ao país. A comparação com o nazismo foi apontada pelas autoridades israelenses como um dos principais fatores de agravamento da crise.

Chanceler defende Flávio Bolsonaro e dispara críticas a Yair Lapid

Na manifestação desta segunda-feira, Gideon Sa’ar também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno. O ministro classificou o senador brasileiro e Aleksandar Vučić, presidente da Sérvia, como “amigos fiéis de Israel”, contestando a maneira como seus reveses eleitorais foram interpretados pelo ex-primeiro-ministro israelense Yair Lapid.

Lapid havia associado os resultados eleitorais a derrotas de políticos próximos ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Sa’ar rejeitou a interpretação e acusou o ex-chefe de governo de desprezar parceiros que demonstraram apoio a Israel durante a guerra.

“Virar as costas para amigos de Israel, enquanto se bajula aqueles que agem contra o país, é sinal de um caráter patético e de uma baixeza moral”, escreveu Sa’ar.

O chanceler também compartilhou uma captura de tela de uma publicação da Federação Árabe Palestina do Brasil que comemorava a reeleição de Lula.

Reeleição mantém impasse entre Brasil e Israel

A vitória de Lula assegura a continuidade de sua política externa por mais quatro anos. A relação com Israel, já deteriorada durante o terceiro mandato, permanece marcada pelo confronto em torno da guerra em Gaza e pelas acusações feitas pelo presidente brasileiro.

A tensão diplomática também esteve presente na Assembleia-Geral da ONU. O 40graus acompanhou o episódio em que a delegação brasileira se juntou a representantes de outros países que deixaram o plenário durante um discurso de Benjamin Netanyahu.

Enquanto Lula mantém críticas às operações militares israelenses, o governo Netanyahu rejeita as acusações de genocídio e sustenta que sua ofensiva tem como alvo o Hamas, responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023.

Israel considera especialmente grave a associação de suas ações militares ao assassinato sistemático de milhões de judeus pela Alemanha nazista. A comparação feita por Lula continua sendo utilizada por integrantes do governo israelense como exemplo da deterioração das relações diplomáticas.

Ao voltar ao assunto imediatamente depois da eleição presidencial, Gideon Sa’ar demonstrou que a vitória de Lula não encerrou o conflito diplomático. As declarações de 2024 continuam presentes nas manifestações oficiais de autoridades israelenses, agora diante da perspectiva de mais um mandato do petista no Palácio do Planalto.

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