Entidades representativas da indústria brasileira criticaram o Banco Central pelo corte tímido de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros tomada nesta quarta-feira (5). Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic passou de 14,25% para 14% ao ano, patamar que entidades do setor classificam como insuficiente para reduzir o custo do crédito, estimular investimentos e impulsionar o crescimento da economia.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a taxa de juros continua em um nível que prejudica as empresas e reduz o poder de compra das famílias. Segundo a entidade, a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa de equilíbrio da economia brasileira, estimada em 10,4%.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.
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A crítica recebeu coro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao afirmar que o crédito para as empresas continua excessivamente caro. Para o presidente da entidade, Paulo Skaf, os financiamentos corporativos superam 30% ao ano, dificultando a modernização da indústria e a ampliação da produção.
“Sem resolver esta questão [dívida pública], o Brasil não volta a crescer de forma sustentada”, pontuou.
Em comunicado, o Copom justificou a redução moderada da Selic pela necessidade de manter o controle da inflação em um ambiente de incertezas. O comitê informou que a próxima decisão dependerá da evolução dos indicadores econômicos e destacou que ela “será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
O Banco Central também afirmou que seguirá acompanhando a política fiscal e os riscos que podem afetar a trajetória dos preços antes de definir os próximos passos do ciclo de redução dos juros. Segundo a autoridade monetária, a postura de cautela busca equilibrar o controle da inflação, suavizar as oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego.
Na avaliação do Copom, os indicadores da economia apontam desaceleração ao longo de 2026, cenário que já era considerado pelo mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual. O Banco Central também ressaltou que conflitos no Oriente Médio, além das incertezas sobre a política monetária em economias avançadas, aumentam a volatilidade dos mercados e exigem cautela de países emergentes como o Brasil.
A Selic iniciou seu atual ciclo de queda em março de 2026, após permanecer por meses em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. Desde então, o Banco Central reduziu a taxa de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto percentual por reunião, até chegar aos atuais 14% ao ano.
Segundo o Banco Central, a redução lenta dos juros reflete a necessidade de manter a inflação sob controle em meio às incertezas fiscais e ao cenário internacional. A autoridade monetária também considera a desaceleração da economia e monitora a evolução dos preços antes de acelerar o ritmo de queda da Selic.