O governo da França condicionou o apoio ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia à inclusão de cláusulas de salvaguarda mais rígidas para proteger os agricultores locais. O ministro para Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, afirmou neste domingo, 2, que o país só dará aval ao tratado caso Bruxelas cumpra o compromisso de adotar essas garantias.
Em setembro, a Comissão Europeia apresentou propostas de salvaguarda, buscando conquistar o apoio da França. O ministro explicou que Paris avalia se as garantias sugeridas realmente seriam eficazes para evitar impactos negativos no setor agrícola do país, alvo de preocupação por conta da concorrência externa.
De acordo com Haddad, a prioridade do governo francês é proteger os produtores nacionais diante do risco de competição considerada desleal. O acordo, firmado no fim de 2024, foi adotado pela Comissão Europeia em 3 de setembro e ainda depende da ratificação dos 27 países da União Europeia para entrar em vigor.
O tratado prevê ampliação das exportações europeias de veículos, máquinas e bebidas alcoólicas para Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Em contrapartida, facilita o acesso de carnes, açúcar, arroz, mel e soja latino-americanos ao mercado europeu, o que pode prejudicar setores agrícolas mais sensíveis.
Propostas de salvaguarda e exigências adicionais
Para tentar convencer países mais cautelosos, como a França, Bruxelas propôs mecanismos de salvaguarda reforçados se houver aumento expressivo nas importações ou queda acentuada de preços, além de monitoramento ampliado para produtos considerados sensíveis. Paris também reivindica o fortalecimento dos controles sanitários nas operações previstas pelo acordo.