Flávio acusa Lula de abandonar a Amazônia com 36 cidades em emergência

Focos de incêndio cresceram 195% no Amazonas; bombeiros afirmam que o governo federal negou ajuda.

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Flávio Bolsonaro, de paletó escuro e camisa azul, fala com jornalistas ao ar livre, diante de um microfone e um celular usado para gravar a entrevista.
Flávio Bolsonaro em fotografia de arquivo de 2018. O senador criticou Lula pela resposta do governo federal às queimadas no Amazonas. | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com 36 municípios do Amazonas em situação de emergência por causa dos incêndios florestais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de virar as costas à Amazônia e ignorar os pedidos de ajuda dos bombeiros. A crítica foi feita na segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Manaus, quando o Estado enfrentava um aumento expressivo das queimadas.

Flávio atacou diretamente a atuação do governo federal e não poupou palavras ao se referir ao presidente:

“O Lula está cagando para a Amazônia.”

A declaração ocorreu em meio a uma crise que já deixou cidades em emergência, espalhou fumaça pela capital amazonense e levou centenas de pessoas a procurar atendimento médico. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, o Amazonas registrou 5.365 focos de incêndio, aumento de 195% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Bombeiros afirmam que governo federal negou ajuda

A cobrança de Flávio tem como pano de fundo uma denúncia do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que acusou o governo federal de negar ajuda para enfrentar os incêndios. Em 10 de outubro, diante do avanço do fogo, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses.

Durante o discurso em Manaus, o candidato do PL criticou Lula por não ter atendido ao pedido dos bombeiros. A acusação tornou a resposta federal às queimadas um dos temas de sua campanha na reta final da disputa presidencial.

O Palácio do Planalto, por sua vez, informou ter mobilizado 11 aeronaves para o Amazonas, entre aviões, helicópteros e um cargueiro da Força Aérea Brasileira (FAB), além de 290 brigadistas federais. A informação foi apresentada pelo governo em resposta às cobranças sobre a assistência prestada ao Estado.

Fumaça das queimadas leva centenas de pessoas ao atendimento médico

Manaus passou as últimas três semanas sob uma densa camada de fumaça provocada pelos incêndios. Entre 1º de julho e 9 de outubro, 375 pessoas procuraram serviços de pronto atendimento na capital por problemas relacionados à fumaça, conforme dados da Secretaria de Saúde do Amazonas.

Os registros de incêndios também mostram a velocidade com que a situação se agravou. Somente em setembro, o Estado contabilizou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes o número observado no mesmo mês de 2025, de acordo com o Inpe.

Além da capital, os efeitos do fogo e da poluição do ar atingiram municípios como Itacoatiara e Careiro da Várzea. O avanço das chamas comprometeu áreas de vegetação e agravou as condições de qualidade do ar em diferentes regiões do Amazonas.

O 40graus já havia noticiado o registro de 540 focos de incêndio em apenas 48 horas no Amazonas, episódio que levou à mobilização de uma força-tarefa para combater as queimadas.

Flávio promete ampliar apoio ao Amazonas se vencer a eleição

Ao cobrar uma mudança na atuação do governo federal, Flávio prometeu que, caso seja eleito presidente, o Amazonas terá mais apoio no combate aos incêndios a partir de janeiro de 2027.

O senador também defendeu uma política para a Amazônia que combine a preservação da floresta com o aproveitamento de suas riquezas naturais em benefício da população local. Segundo ele, o próximo governo deve tanto proteger o território quanto permitir que os amazonenses se beneficiem economicamente dos recursos da região.

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