Amazonas registra 540 focos de incêndio em 48 horas e mobiliza força-tarefa

Estado teve 494 focos em um único dia; fumaça compromete a qualidade do ar e 36 municípios têm situação de emergência reconhecida.

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Chamas alaranjadas avançam sobre vegetação seca durante incêndio florestal.
Incêndio consome vegetação em área de floresta. O Amazonas registrou 540 focos em 48 horas e mobilizou uma força-tarefa para combater as queimadas. Foto de arquivo. | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio em apenas 48 horas, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O volume supera a metade dos 874 focos contabilizados durante todo o mês de outubro de 2025 e levou à mobilização de uma força-tarefa para combater as chamas no estado.

O dia mais crítico foi sábado, 10 de outubro, quando os satélites identificaram 494 novos focos de incêndio em um único dia, o maior registro do mês até então. Na mesma data do ano passado, o Inpe não havia detectado nenhum novo foco no Amazonas.

A fumaça provocada pelas queimadas comprometeu a qualidade do ar, especialmente em Manaus, onde a Defesa Civil emitiu um alerta sobre os riscos à saúde da população. Diante da situação, o governo federal reconheceu, em caráter sumário, situação de emergência em 36 municípios amazonenses.

Ministro atribui incêndios à ação humana e cobra punição

No domingo, 11, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas atingidas pelo fogo.

Durante a inspeção, os ministros identificaram incêndios em trechos de floresta de difícil acesso, o que aumenta a complexidade das operações de combate.

Capobianco afirmou que os incêndios na floresta amazônica não ocorrem espontaneamente e atribuiu os focos à ação humana intencional. Segundo o ministro, as queimadas podem ter como objetivo degradar a vegetação e abrir caminho para o desmatamento.

“É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirmou Capobianco.

A declaração reforça a suspeita de que parte dos incêndios esteja relacionada à destruição deliberada da vegetação. A reportagem não apresenta, entretanto, a identificação dos responsáveis pelos focos registrados.

Ibama mobiliza 290 brigadistas e seis aeronaves

O combate aos incêndios reúne equipes dos governos federal, estadual e municipal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviou 290 brigadistas e seis aeronaves para reforçar o trabalho nas áreas atingidas.

A estrutura mobilizada pelo órgão inclui quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre os focos, e dois helicópteros.

O presidente do Ibama, Jair Schmitt, destacou a capacidade operacional dos aviões empregados no combate às chamas.

“São aeronaves muito específicas e apropriadas para o combate ao incêndio florestal. Cada aeronave dessas lança cerca de 3 mil litros de água”, explicou Schmitt.

Além dos equipamentos enviados pelo Ibama, dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) foram mobilizados no domingo, a pedido da Defesa Civil, para reforçar a operação.

Fumaça provoca alerta em Manaus e emergência em 36 municípios

O avanço das queimadas também trouxe consequências para a qualidade do ar. Na sexta-feira, 9, a Defesa Civil do Amazonas emitiu um alerta sobre os riscos à saúde provocados pela fumaça em Manaus.

Com o reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios, a mobilização passou a incluir também a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), que iniciou atuação nas localidades afetadas.

A operação reúne aeronaves, brigadistas e equipes de saúde diante da concentração de incêndios e das dificuldades para alcançar áreas de floresta atingidas pelo fogo.

Os dados do Inpe dimensionam a gravidade do episódio: em apenas dois dias, o Amazonas acumulou um número de focos equivalente a mais de 60% de todos os registros feitos ao longo de outubro de 2025.

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