Farra fiscal de Lula chega a R$ 354 bilhões em plena campanha eleitoral

Levantamento expõe sucessão de gastos, subsídios e renúncias de impostos em ano eleitoral; economista alerta que a conta das bondades do governo será paga pela população.

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Presidente Lula usando chapéu claro com faixa preta e terno escuro, com o dedo próximo à boca, diante de um fundo amarelo e azul.
O presidente Lula durante o lançamento do Novo Desenrola Brasil, em Brasília, em maio de 2026. Levantamento aponta R$ 354 bilhões em gastos, subsídios, créditos e renúncias fiscais associados a medidas do governo. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A farra fiscal do governo Lula atingiu R$ 354 bilhões em gastos públicos e renúncias de impostos durante a campanha eleitoral de 2026. O valor, apontado em levantamento sobre as medidas autorizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expõe uma sucessão de benefícios, subsídios e concessões anunciados em meio à disputa pela Presidência da República.

A cifra bilionária aumentou depois que Lula anunciou o perdão de dívidas tributárias de microempreendedores individuais (MEIs) e prometeu transferências de até R$ 5 mil por Pix para investimentos em pequenos negócios.

O pacote foi apresentado na reta final do segundo turno, quando o petista tenta reverter a desvantagem eleitoral diante de Flávio Bolsonaro (PL). A sequência de anúncios colocou novamente em discussão o uso da máquina pública, a expansão dos gastos e o peso das medidas sobre as contas do país.

Farra fiscal de Lula dispara com perdão de dívidas e promessas de Pix

A mais recente ofensiva do governo para atrair eleitores envolve os microempreendedores individuais. Lula anunciou o perdão de débitos tributários da categoria e prometeu repasses de até R$ 5 mil para estimular investimentos.

As medidas se somam a uma série de concessões anunciadas ao longo de 2026, em um momento decisivo da corrida presidencial.

O anúncio para os MEIs ampliou o volume de compromissos fiscais contabilizados no levantamento e reforçou as críticas à distribuição de benefícios às vésperas da votação.

O 40graus já mostrou o pacote apresentado por Lula para os microempreendedores, incluindo as promessas de perdão de dívidas e ampliação dos incentivos à categoria.

Governo acumula subsídios, benefícios e renúncias bilionárias

O levantamento aponta que a conta da farra fiscal é formada por diferentes tipos de medidas, com destaque para R$ 180,6 bilhões em créditos e subsídios destinados a categorias específicas.

Outros R$ 69,6 bilhões correspondem a benefícios sociais, enquanto R$ 68,5 bilhões estão relacionados a renúncias tributárias.

FARRA FISCAL | GOVERNO LULA
Medidas fiscais contabilizadas em 2026
R$ 354 bilhões
Total do levantamento divulgado durante a campanha eleitoral.
Créditos e subsídiosR$ 180,6 bi
Benefícios sociaisR$ 69,6 bi
Renúncias tributáriasR$ 68,5 bi
Valores discriminados no levantamento. As três parcelas somam R$ 318,7 bilhões; a composição dos R$ 35,3 bilhões restantes não foi detalhada na reportagem. Barras proporcionais à maior categoria.

Os números mostram a dimensão das decisões fiscais adotadas pelo governo em ano eleitoral. Além das despesas diretas, a conta inclui mecanismos de crédito, subsídios e receitas tributárias das quais a União abre mão.

Bolsa Família, Desenrola e canetas emagrecedoras entram na sequência de benefícios

A corrida eleitoral foi acompanhada por uma sucessão de medidas apresentadas pelo governo federal.

Entre os anúncios citados no levantamento estão:

  • Bolsa Família: reajuste de 15% no benefício;
  • Desenrola 3.0: lançamento de uma nova etapa do programa;
  • Apostas esportivas: medida para proibir plataformas de apostas on-line;
  • Saúde: liberação de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS);
  • MEIs: perdão de dívidas tributárias e promessa de transferências de até R$ 5 mil.

O acúmulo de concessões ocorre justamente quando Lula enfrenta uma disputa acirrada pela reeleição. O calendário dos anúncios tornou-se um dos principais pontos de crítica à condução fiscal do governo.

Economista alerta: população vai pagar a conta das bondades

A expansão das medidas provocou críticas sobre seus efeitos na economia brasileira.

Selene Nunes, economista que participou da elaboração da Lei de Responsabilidade Fiscal, alertou que os custos dos subsídios, das garantias assumidas pelo governo e do endividamento não desaparecem.

“Se o governo concede subsídio, assume risco ou se endivida, alguém paga essa conta, hoje ou no futuro.”

Na avaliação da especialista, a sociedade poderá arcar com a conta por meio de inflação e juros elevados.

O alerta reforça o questionamento sobre a sustentabilidade de uma sequência de medidas que amplia compromissos fiscais em meio à campanha eleitoral.

Lula atacou regras que restringem benefícios em período eleitoral

A ofensiva de anúncios ocorre depois de o próprio presidente ter criticado as restrições impostas pela legislação eleitoral.

Em julho, durante um ato político no Rio Grande do Norte, Lula demonstrou irritação com regras que limitam inaugurações e a distribuição de vantagens financeiras durante a disputa por votos.

Na ocasião, chamou as restrições de “papagaiada desgraçada”.

As declarações voltam ao centro do debate diante do volume de gastos e benefícios anunciados pelo governo na reta final da eleição.

Planalto nega caráter eleitoreiro das medidas

Apesar das críticas, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República negou que as ações tenham finalidade eleitoral.

O governo sustentou que os gastos buscam manter políticas consideradas essenciais para a população.

A resposta, porém, não encerra o debate sobre o custo das medidas. O levantamento aponta R$ 354 bilhões em gastos e renúncias fiscais no mesmo ano em que Lula disputa a permanência no Palácio do Planalto.

Enquanto o governo amplia benefícios e anuncia novas concessões, permanece o alerta sobre quem pagará a conta das decisões tomadas em plena campanha eleitoral.

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