Eleições nos EUA podem deixar Trump sem maioria no Congresso

Americanos elegem deputados e senadores nesta terça-feira (3); resultado pode ampliar o poder da oposição e dificultar a agenda do presidente nos últimos dois anos de mandato

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Donald Trump de perfil, usando terno escuro e gravata vermelha, durante discurso em evento político nos Estados Unidos.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem mudar o equilíbrio de forças no Congresso e impor novos obstáculos à agenda de Donald Trump. Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons (2018), CC BY-SA 2.0.

Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para decidir quem terá o controle do Congresso dos Estados Unidos nos próximos dois anos. Embora Donald Trump não esteja entre os candidatos, o resultado das eleições de meio de mandato poderá mudar os rumos de seu governo, fortalecendo a base republicana ou entregando aos democratas o poder de barrar propostas e ampliar investigações sobre a Casa Branca.

Conhecidas como midterms, as eleições renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os republicanos chegam à disputa controlando as duas Casas, mas a vantagem é pequena na Câmara, onde ocupam 218 assentos, contra 214 dos democratas, além de um independente e duas vagas abertas.

No Senado, a situação é mais favorável ao partido de Trump. Os republicanos têm 53 cadeiras, enquanto os democratas ocupam 45 e contam com dois independentes alinhados à bancada. Para assumir o controle, a oposição precisaria conquistar um ganho líquido de quatro assentos.

Vitória democrata pode ampliar investigações contra o governo Trump

A perda da maioria na Câmara já seria suficiente para dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca. Com o comando da Casa, os democratas poderiam assumir a direção das comissões parlamentares, convocar integrantes do governo para prestar depoimentos, exigir documentos e investigar decisões tomadas durante a administração republicana.

A oposição também passaria a ter maior influência sobre propostas de gastos públicos e medidas econômicas. Projetos que dependem de aprovação legislativa poderiam ser bloqueados ou submetidos a negociações, reduzindo a liberdade do governo para colocar sua agenda em prática.

Caso os democratas conquistem também o Senado, Trump enfrentaria obstáculos adicionais. A Casa é responsável por confirmar indicações presidenciais para cargos importantes do governo e do Judiciário, incluindo ministros da Suprema Corte. Uma maioria adversária poderia rejeitar nomes escolhidos pelo presidente e dificultar novas nomeações.

Novo impeachment também entra no cálculo político

Uma mudança no comando da Câmara poderia abrir caminho para outro processo de impeachment contra Trump, que já foi alvo de duas acusações aprovadas pelos deputados durante seu primeiro mandato. Pelas regras americanas, a Câmara pode aprovar a abertura de um processo por maioria simples.

A destituição, no entanto, depende de uma condenação pelo Senado, com o apoio de dois terços dos parlamentares presentes. Caso os 100 senadores participem da votação, seriam necessários 67 votos para afastar o presidente, número que exige apoio muito além da bancada democrata atual.

Mesmo sem chegar à destituição, uma maioria oposicionista na Câmara teria instrumentos para intensificar a fiscalização sobre o Executivo e submeter integrantes do governo a novas investigações parlamentares.

Maioria republicana daria mais espaço à agenda de Trump

Se o Partido Republicano conservar o controle das duas Casas, Trump continuará contando com maiorias alinhadas ao governo para negociar projetos de redução de impostos, mudanças na política migratória, gastos com segurança e outras iniciativas defendidas pela Casa Branca.

A manutenção do Senado também preservaria uma vantagem importante para o presidente: a possibilidade de confirmar autoridades e magistrados indicados por seu governo, sem depender de uma maioria democrata.

O controle partidário, porém, não elimina as regras de votação. No Senado, grande parte dos projetos ainda depende de 60 votos para encerrar a obstrução parlamentar, o que pode exigir negociações além da bancada republicana.

O novo Congresso tomará posse em 3 de janeiro de 2027. Trump não disputa nenhum cargo nesta terça-feira, mas o resultado das urnas poderá determinar se enfrentará uma oposição com mais instrumentos de fiscalização ou se continuará governando com o apoio das maiorias republicanas até o fim de seu mandato.

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