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Saúde

De candidíase a HPV: exame avalia microbiota vaginal e diagnostica 40 infecções

Um novo teste capaz de rastrear simultaneamente 40 bactérias, vírus e fungos causadores de doenças ginecológicas está em avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser liberado no Brasil. A gama abrange desde infecções, como clamídia, gonorreia, triconomíase, HPV e citomegalovírus, até problemas relacionados ao desequilíbrio da flora vaginal, como candidíase e vaginose bacteriana, que são as queixas mais comuns nos consultórios.

O Femoflor II pode ser indicado a mulheres com sintomas como cheiro forte, muco anormal, desconforto, coceira, aparição de verrugas e outras lesões, que podem ser indícios de diferentes problemas no canal vaginal.

“Diversas infecções vaginais e alterações na microbiota podem causar sintomas muito semelhantes, ao passo que, em algumas mulheres, podem não provocar sintoma algum. Isso torna pouco confiável o diagnóstico baseado apenas nos sintomas”, explica a médica russa Margarita N. Boldyreva, diretora médica da DNA-Technology LLC, empresa que criou o teste.

“Essa é uma nova ferramenta que pode nos ajudar a encontrar, com precisão e rapidez, a causa exata de queixas que são muito comuns no dia a dia”, comemora Fabiano Elisei Serra, ginecologista e doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Como funciona?

O Femoflor II deve ser solicitado pelo médico para fins diagnósticos e o procedimento é realizado em consultório ou laboratório em todo o Brasil.

O teste é feito com introdução de um swab (a famosa “escovinha”) no canal vaginal, que coleta uma amostra do muco da região para ser analisada em laboratório, em busca do material genético de dezenas de micro-organismos prejudiciais à saúde.

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“É um teste de PCR, como os que se popularizaram pela Covid-19“, resume Mohamad Imam, sócio e diretor de Operações da Biomédica Equipamentos, que trouxe o exame para o Brasil. “Ele identifica e quantifica certas sequências específicas de DNA viral ou bacteriano para identificar a presença de patógenos na amostra, e assim fazer um diagnóstico certeiro.”

Por enquanto, o teste está disponível apenas no sistema privado. O valor do exame varia de acordo com o prestador do serviço, mas pode ser encontrado por cerca de R$ 900.

No futuro, a empresa espera que o acesso seja ampliado para o Sistema Único de Sáude (SUS) e até que sejam lançadas versões de autocoleta — opção ainda pouco utilizada no Brasil, mas que permite que a própria paciente colete a amostra em casa e envie o material para ao laboratório por correio.

HPV

Um dos destaques do Femoflor II é a capacidade de identificar até 14 tipos de papilomavírus humano (HPV) de alto risco, como os 16, 18 e 45 — principais causadores de câncer de colo do útero no Brasil.

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“Identificar especificamente os tipos 16 e 18 é crucial, pois são os mais agressivos e prevalentes em casos de câncer, permitindo que o médico encaminhe a paciente para exames complementares, como a colposcopia, para verificar a existência de lesões”, orienta Lara Termini, pesquisadora científica da área médica no Laboratório de Inovação em Câncer no Centro de Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

O teste, no entanto, não substitui a realização de exames de rastreamento do câncer de colo do útero, como o teste molecular de DNA-HPV, que deve suceder a realização do papanicolau nos próximos anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Infertilidade

Infecções vaginais também são causas prováveis de problemas de fertilidade.

“A Chlamydia trachomatis, bactéria causadora da clamídia, pode se espalhar pelo aparelho reprodutor e causar problemas que vão da obstrução das tubas uterinas até dificuldade para implantação do embrião no útero, aumentando o risco de abortos, por exemplo”, exemplifica Serra.

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Não raro, a infecção é assintomática, o que contribui para que o diagnóstico tardio. “Ter acesso a um exame que avalia, ao mesmo tempo, a presença deste e de outros patógenos faz diferença”, considera o ginecologista. “Uma vez identificado o problema, o tratamento pode ser encaminho de forma mais rápida e o problema pode ser revertido.”

Microbiota

Já a avaliação da microbiota vaginal pode ajudar a diagnosticar a candidíase e a vaginose bacteriana, as doenças vaginais mais comuns.

“A microbiota tem um papel importante inclusive no combate a micro-organismos invasores”, destaca Termini, do Icesp. “A maioria das infecções por HPV, por exemplo, podem ser eliminadas dentro de dois anos pela atuação da flora vaginal e do sistema imunológico”, exemplica.

Por isso, a farmacêutica destaca que o uso de antibióticos deve ser controlado, a fim de evitar a perda de bactérias benéficas para a nossa saúde.

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