CNI chama fim da escala 6×1 de ‘retrocesso’ e alerta para demissões

Entidade prevê até R$ 267,2 bilhões em custos adicionais e critica aprovação da mudança em pleno período eleitoral.

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Edifício da Confederação Nacional da Indústria.
Sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que alertou para demissões, aumento de custos e alta dos preços com o fim da escala 6x1. | Foto: Augusto Coelho / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o fim da escala 6×1 como um retrocesso para o Brasil e alertou para o risco de demissões, aumento dos preços e perda de competitividade. A entidade criticou a aprovação da proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira (14), a CNI questionou a votação durante o período eleitoral e afirmou que os efeitos econômicos da mudança não foram suficientemente discutidos. A confederação também destacou os problemas de produtividade e competitividade enfrentados pela indústria brasileira.

“Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil”

A manifestação ocorreu depois que o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Como mostrou o 40graus, a mudança foi aprovada por 75 votos a um em cada turno e poderá começar a valer ainda em dezembro, caso seja mantido o calendário previsto para a promulgação.

CNI prevê impacto de R$ 267 bilhões e queda na economia

Um levantamento da própria confederação estima que a redução da jornada para 40 horas semanais poderá provocar um aumento de até R$ 267,2 bilhões nos custos de produção.

O estudo também projeta uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões. Os valores representam estimativas da entidade sobre os possíveis efeitos da mudança.

Preços de alimentos, roupas e produtos industriais podem subir

Os cálculos apresentados pela CNI indicam que os preços ao consumidor poderão aumentar, em média, 6,2% caso as projeções se confirmem.

Nos supermercados, a alta estimada é de 5,7%. Para produtos industrializados, o aumento médio projetado chega a 6%. Já no setor de roupas e calçados, os preços poderão subir até 6,6%.

A entidade teme que as despesas adicionais sejam repassadas aos consumidores, pressionando os preços de produtos e serviços.

Presidente da CNI critica votação sem debate mais amplo

O presidente da confederação, Ricardo Alban, lamentou a aprovação da proposta sem uma discussão mais ampla com a sociedade brasileira. Segundo ele, a votação ocorreu sem que os impactos econômicos da medida fossem devidamente mensurados.

Alban também defendeu que o Congresso reavalie o assunto caso as consequências econômicas confirmem as preocupações da indústria, especialmente quanto à inflação e à perda de competitividade.

A CNI alerta ainda que a redução da jornada exigirá mudanças nas escalas de trabalho e nos processos produtivos das empresas. Para a entidade, essas adaptações aumentarão as despesas de um setor que já enfrenta carga tributária elevada, juros altos e dificuldades para competir no mercado internacional.

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