O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, defendeu que a taxa básica de juros (Selic) no Brasil fique em um dígito. Em entrevista à GloboNews concedida nesta quinta-feira (5), o executivo argumenta que o patamar elevado contribui para a inadimplência.
“Não há quem defenda juros nesse patamar. […] O que a gente precisa realmente é trabalhar para levar as taxas para um patamar mais baixo”, defendeu. Maluhy Filho acrescenta que o patamar baixo permite aos bancos ampliar a carteira de crédito de forma sustentável, em um cenário “onde as famílias de fato tomam boas decisões de financiamento de imóvel, consumo ou da compra de um veículo, e onde as empresas conseguem investir com muito mais qualidade”.
A fala ocorre após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de dar mais um passo cauteloso. A Selic caiu 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva e, agora, está em 14%, o menor patamar desde março de 2025. O colegiado levou em conta as tensões no Oriente Médio e a insistência da inflação em se manter acima da meta, apesar das quedas.
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Bancos ganham com juros, mas taxa elevada pode inviabilizar pagamentos
Os bancos lucram com os juros cobrados em operações de crédito e financiamento, como empréstimos e cartão. Contudo, quando as taxas permanecem em patamares elevados, o custo do dinheiro pesa sobre o orçamento das famílias, aumentando o atraso nos pagamentos. Dados do Banco Central (BC) indicam que a inadimplência no Sistema Financeiro Nacional atinge 4,7% do volume total de crédito, considerando os atrasos superiores a 90 dias.”
A autoridade monetária aponta um endividamento das famílias de quase metade da renda acumulada nos últimos 12 meses. O indicador, no entanto, olha apenas para o setor fiscalizado. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obteve que 80,4% das famílias estão endividadas.
O Copom consolida suas decisões por meio das atas divulgadas na terça-feira seguinte à reunião, com o detalhamento dos argumentos e cenários. As incertezas sobre o cenário político interno e externo têm levado o colegiado a adotar um tom cauteloso. Em fevereiro de 2022, a Selic atingiu 10,75%, início de um ciclo de dois dígitos que se repetiu em ondas subsequentes e segue vigente.
Quando o BC se tornou autônomo, no início de 2021, a Selic estava em 2% ao ano. Depois disso, veio um ciclo de altas que chegou a 13,75%. O mais recente ciclo começou no final de 2024 e culminou na manutenção do patamar de 15% de junho de 2025 a março de 2026. O recorde histórico, porém, ainda é de 1999, quando a Selic bateu 45% ao ano em meio ao início da política de metas para a inflação.