A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) cobrou uma reação de deputados, senadores e governadores eleitos pelo partido diante da redução da mobilização política após o primeiro turno das eleições presidenciais. Nos bastidores, integrantes da equipe demonstram preocupação com o clima de “já ganhou” entre aliados e temem que a diminuição das atividades nas ruas e nas redes sociais prejudique a estratégia para o segundo turno.
Segundo relatos publicados nesta terça-feira (13), dirigentes da campanha avaliam que o resultado da primeira votação provocou acomodação em parte dos aliados. A cobrança é para que lideranças do Partido Liberal (PL) retomem a participação ativa na disputa.
A preocupação ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anuncia novas medidas econômicas e sua campanha intensifica a busca por eleitores que não participaram do primeiro turno.
Campanha de Flávio teme desmobilização após primeiro turno
De acordo com integrantes da equipe eleitoral, parlamentares e governadores eleitos pelo PL diminuíram sua presença em atividades de rua e nas redes sociais depois da primeira votação.
A avaliação interna é que o ambiente de confiança excessiva pode comprometer a capacidade de mobilização da campanha justamente na fase decisiva da eleição.
A orientação é ampliar a participação de lideranças políticas e recuperar o ritmo das ações eleitorais, especialmente diante da estratégia adotada pelo PT para atrair novos eleitores.
Medidas anunciadas por Lula entram no radar da campanha adversária
Outro ponto de atenção envolve as iniciativas econômicas anunciadas pelo governo federal às vésperas do segundo turno.
Entre elas está o reajuste anunciado do valor mínimo do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691, com pagamento previsto para começar seis dias antes da votação.
Nesta terça-feira (13), Lula também apresentou um pacote destinado aos microempreendedores individuais (MEIs), com propostas de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias e concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios.
O 40graus já mostrou as medidas anunciadas pelo governo para os microempreendedores, incluindo propostas que ainda dependem de aprovação legislativa ou regulamentação.
A reportagem também menciona uma medida provisória assinada em setembro para proibir as apostas esportivas on-line, conhecidas como bets.
Integrantes da campanha de Flávio interpretam essas iniciativas como parte de uma estratégia eleitoral de Lula para conquistar votos na reta final. Essa caracterização representa a avaliação dos aliados do senador, e não uma conclusão sobre a finalidade legal das medidas.
Campanha teme crescimento do voto útil contra Flávio Bolsonaro
Além da movimentação do governo, a equipe de Flávio acompanha o comportamento dos eleitores que rejeitam sua candidatura.
Nos bastidores, dirigentes consideram a possibilidade de que parte dos eleitores de centro e dos adversários do bolsonarismo decida participar mais ativamente do segundo turno.
O receio está relacionado ao chamado voto útil, quando o eleitor escolhe uma candidatura principalmente para impedir a vitória de outra.
A avaliação interna é que pesquisas divulgadas antes do primeiro turno, nas quais Lula aparecia à frente de Flávio, podem ter influenciado a percepção de parte desse eleitorado sobre a disputa.
Agora, diante dos resultados da votação e dos levantamentos posteriores, a equipe do senador acompanha a possibilidade de mudanças na participação dos eleitores.
Abstenção de 33,4 milhões de eleitores vira prioridade do PT
O índice de abstenção no primeiro turno também entrou no centro das estratégias eleitorais.
Segundo os números apresentados na reportagem, 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21% do eleitorado.
A campanha de Lula passou a tratar a mobilização desses eleitores como uma de suas prioridades para o segundo turno.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, confirmou a intenção de buscar votos entre as pessoas que não compareceram às urnas na primeira votação.
O partido também distribuiu aos militantes um guia com 13 orientações para intensificar a atuação nas ruas e nas redes sociais.
Integrantes da campanha de Flávio avaliam que essa estratégia já apresenta resultados, embora a reportagem não apresente uma medição específica que permita quantificar seus efeitos sobre o comparecimento eleitoral.
Pesquisas mostram disputa apertada entre Lula e Flávio
Levantamentos citados na reportagem apontam diferenças pequenas entre os candidatos no segundo turno.
- PoderData/AYA: Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, em empate técnico, segundo a pesquisa divulgada nesta terça-feira (13);
- BTG/Nexus: Flávio com 52% e Lula com 48%;
- Datafolha: Flávio com 52% e Lula com 48%;
- AtlasIntel/Bloomberg: Flávio com 52,8% e Lula com 47,2%.
Na rodada anterior do PoderData/AYA, divulgada em 8 de outubro, os percentuais informados eram de 53% para Flávio e 47% para Lula.
Os resultados representam retratos das intenções de voto nos respectivos levantamentos. A reportagem não detalha, para todas as pesquisas, amostras, margens de erro e períodos de coleta, informações necessárias para comparações metodológicas mais precisas.
Flávio e aliados discutem próximos passos da campanha
Flávio Bolsonaro e os principais integrantes de sua equipe tinham uma reunião prevista para esta terça-feira (13), com o objetivo de definir os próximos passos da campanha.
A expectativa interna era discutir medidas para recuperar a mobilização dos aliados e responder à intensificação das atividades políticas do PT.
O movimento revela que, apesar da confiança demonstrada por setores do PL, a coordenação da campanha não considera encerrada a disputa eleitoral. A prioridade relatada é evitar acomodação e ampliar a participação das lideranças na reta final do segundo turno.
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