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‘A radicalização ideológica está amplamente difundida’

O assassinato do ativista norte-americano Charlie Kirk é mais um exemplo de como a radicalização do discurso instiga crimes contra políticos e pensadores divergentes, afirma a socióloga Marize Schons. O influenciador conservador foi assassinado no último dia 10, quando discursava para uma multidão na Universidade Vale de Utah, nos Estados Unidos.

“O caso do Charlie Kirk não deixa dúvida que a radicalização ideológica está amplamente difundida nas massas, na cultura, nos influenciadores e nos diversos setores da sociedade civil”, diz Marize, que é doutora em sociologia e professora de teoria política. “Essa difusão popular de que a violência física é um instrumento disponível para fazer política vai, inclusive, contribuir para que os políticos se sintam autorizados para radicalizar também.”

Marize Schons
Socióloga e professora, Marize Schons é escritora. Ela é autora do livro O Mínimo Sobre Liberalismo | Foto: Reprodução/Instagram/@marizeschons

A socióloga afirma que casos como o de Kirk não estão restritos aos EUA. De acordo com ela, políticos brasileiros, sobretudo aqueles identificados como políticas que estão no campo divergente, também acabam entrando na mira da radicalização, que vai além do debate.

“Na história, a violência não está restrita a um campo, porém, acho que o componente ideológico não pode ser excluído da análise do que está acontecendo, como políticos como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sendo ameaçados”, diz Marize. “Isto é, a consequência do que aconteceu nos EUA tem tido impactos no Brasil, especialmente quando analisamos políticos do campo divergente sendo ameaçados abertamente.”

“Não dá para negar como uma tensão política muito parecida acontece no Brasil”, avalia Marize. “Por isso, por mais que alguém de esquerda possa sugerir que a morte de um líder conservador é desejável ou ainda não é ‘problema dela’, esse é um grande equívoco, e uma incoerência, pelo menos para quem diz que defende a democracia.”

Radicalização e banalização de termos

Ainda na parte de radicalizar o discurso — e as ações — contra adversários políticos, a doutora em sociologia também critica o que chama de banalização de determinadas palavras. Nesse sentido, afirma que até pessoas comuns passaram a ser chamadas, por exemplo, de “fascistas”.

“Trata-se de uma radicalização que imputa ‘fascismo’ a alguém que tem um estilo de vida mais conservador”, diz Marize. “Isso envolve uma banalização das palavras que pode enquadrar qualquer opinião legítima como uma opinião criminosa.”

O avanço do ódio contra políticos e pensadores divergentes pauta a reportagem de capa da Edição 288 da Revista Oeste. Intitulado “Vítimas da intolerância”, o texto está disponível aos mais de 100 mil assinantes do veículo de comunicação que defende a liberdade e não aceita dinheiro público.

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Via Revista Oeste

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