Zelensky acusa Trump de favorecer a Rússia ao suspender novas sanções

Presidente ucraniano diz que a decisão incentiva Putin a continuar os ataques; medida também atinge tarifas contra compradores de petróleo e gás russos.

Compartilhe
Volodymyr Zelensky, de camisa preta e fone de ouvido, olha para o lado diante de microfones, com fundo escuro.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou a decisão de Donald Trump de suspender novas sanções contra a Rússia. | Foto: Antonio Masiello/Getty Images.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou Donald Trump de favorecer a Rússia ao suspender a aplicação de novas sanções e tarifas previstas contra Moscou. A crítica foi feita neste sábado (17), um dia depois de o presidente dos Estados Unidos assinar uma ordem executiva que interrompeu a entrada em vigor das medidas econômicas. Para Zelensky, o recuo norte-americano fortalece Vladimir Putin e incentiva a continuidade dos ataques russos.

As punições estavam previstas na chamada Lei Graham, aprovada em setembro para ampliar a pressão econômica sobre a Rússia e os países que mantêm relações comerciais no setor de energia com o governo russo. A suspensão ocorreu poucos dias antes da data prevista para a aplicação das medidas.

Em publicação na rede social X, Zelensky condenou a decisão de Washington e afirmou que ela beneficia diretamente Moscou.

A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece errada. Isso definitivamente ajuda apenas os russos.

O presidente ucraniano também relacionou a flexibilização das punições à continuidade da ofensiva militar russa.

Isso só alimenta a satisfação deles e o desejo de continuar matando pessoas.

A manifestação de Zelensky pode ser consultada na publicação original:

Zelensky denuncia ataques à infraestrutura energética da Ucrânia

As críticas surgiram em meio a novos ataques contra instalações de energia da Ucrânia. Segundo Zelensky, forças russas atingiram mais de 15 estruturas de geração e transmissão de eletricidade na sexta-feira (16).

O presidente afirmou ainda que o governo ucraniano dispõe de informações sobre a preparação de novas ofensivas russas no oeste do país. O alerta reforça sua preocupação com a suspensão das sanções justamente quando Kiev acusa Moscou de manter a pressão militar sobre áreas civis e instalações estratégicas.

O setor energético já estava no centro das divergências entre os dois países. O 40graus acompanhou anteriormente as discussões sobre a suspensão temporária de ataques a instalações de energia.

Lei Graham previa tarifas de até 100% contra compradores de energia russa

A decisão de Trump atingiu sanções e tarifas previstas na legislação defendida pelo senador republicano Lindsey Graham, destinada a ampliar o custo econômico da manutenção de relações comerciais com a Rússia.

Entre seus mecanismos, a lei previa a possibilidade de impor tarifas de até 100% sobre produtos importados de países que estivessem entre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos. As punições também poderiam alcançar nações que continuassem adquirindo combustíveis de Moscou ou ajudassem o governo russo a contornar restrições internacionais.

A legislação autorizava o presidente dos Estados Unidos a suspender a aplicação das medidas quando considerasse que elas contrariavam os interesses nacionais norte-americanos, mediante comunicação ao Congresso.

Trump utilizou essa justificativa ao assinar a ordem executiva na sexta-feira (16). A decisão interrompeu a aplicação das novas punições previstas na lei, não significando, por si só, o fim de todas as sanções que os Estados Unidos já mantinham contra a Rússia.

China e Índia, importantes compradores de petróleo russo, haviam demonstrado preocupação com os efeitos que as tarifas poderiam provocar em suas relações comerciais com Washington.

Rússia comemora decisão, e democrata acusa Trump de ceder a Putin

A suspensão foi recebida de maneira favorável por Kirill Dmitriev, enviado russo para investimentos, que classificou a decisão como um momento histórico. Na avaliação dele, as punições previstas poderiam prejudicar a cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos.

A reação foi diferente entre adversários políticos de Trump em Washington. O deputado democrata Don Beyer acusou o presidente norte-americano de ceder a Putin e argumentou que o recuo enfraquece o apoio à Ucrânia, contrariando o objetivo das medidas aprovadas pelo Congresso.

Zelensky também lamentou a ausência de Lindsey Graham, um dos defensores do apoio norte-americano a Kiev e das sanções econômicas contra Moscou. Segundo o presidente ucraniano, a aprovação da legislação havia criado expectativas de continuidade do apoio dos dois principais partidos dos Estados Unidos à Ucrânia.

O líder ucraniano afirmou temer que Washington adote novas medidas de flexibilização das restrições econômicas impostas à Rússia.

A suspensão ocorre semanas antes das eleições legislativas norte-americanas, em um momento de preocupação com os custos de energia nos Estados Unidos. As tarifas previstas poderiam elevar os preços do petróleo, atingindo países que mantêm compras de combustíveis russos e ampliando os efeitos econômicos da guerra para além da Europa.

Mais sobre o assunto

Comentários 0

Participe da conversa. Opiniões são bem-vindas quando mantêm respeito e relação com o assunto. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.

Deixe seu comentário

Seu comentário deve contribuir com a discussão. Consulte também nossa Política de Privacidade.