O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou Donald Trump de favorecer a Rússia ao suspender a aplicação de novas sanções e tarifas previstas contra Moscou. A crítica foi feita neste sábado (17), um dia depois de o presidente dos Estados Unidos assinar uma ordem executiva que interrompeu a entrada em vigor das medidas econômicas. Para Zelensky, o recuo norte-americano fortalece Vladimir Putin e incentiva a continuidade dos ataques russos.
As punições estavam previstas na chamada Lei Graham, aprovada em setembro para ampliar a pressão econômica sobre a Rússia e os países que mantêm relações comerciais no setor de energia com o governo russo. A suspensão ocorreu poucos dias antes da data prevista para a aplicação das medidas.
Em publicação na rede social X, Zelensky condenou a decisão de Washington e afirmou que ela beneficia diretamente Moscou.
A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece errada. Isso definitivamente ajuda apenas os russos.
O presidente ucraniano também relacionou a flexibilização das punições à continuidade da ofensiva militar russa.
Isso só alimenta a satisfação deles e o desejo de continuar matando pessoas.
A manifestação de Zelensky pode ser consultada na publicação original:
Publicação de Volodymyr Zelensky no X, em 17 de outubro de 2026.
Zelensky denuncia ataques à infraestrutura energética da Ucrânia
As críticas surgiram em meio a novos ataques contra instalações de energia da Ucrânia. Segundo Zelensky, forças russas atingiram mais de 15 estruturas de geração e transmissão de eletricidade na sexta-feira (16).
O presidente afirmou ainda que o governo ucraniano dispõe de informações sobre a preparação de novas ofensivas russas no oeste do país. O alerta reforça sua preocupação com a suspensão das sanções justamente quando Kiev acusa Moscou de manter a pressão militar sobre áreas civis e instalações estratégicas.
O setor energético já estava no centro das divergências entre os dois países. O 40graus acompanhou anteriormente as discussões sobre a suspensão temporária de ataques a instalações de energia.
Lei Graham previa tarifas de até 100% contra compradores de energia russa
A decisão de Trump atingiu sanções e tarifas previstas na legislação defendida pelo senador republicano Lindsey Graham, destinada a ampliar o custo econômico da manutenção de relações comerciais com a Rússia.
Entre seus mecanismos, a lei previa a possibilidade de impor tarifas de até 100% sobre produtos importados de países que estivessem entre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos. As punições também poderiam alcançar nações que continuassem adquirindo combustíveis de Moscou ou ajudassem o governo russo a contornar restrições internacionais.
A legislação autorizava o presidente dos Estados Unidos a suspender a aplicação das medidas quando considerasse que elas contrariavam os interesses nacionais norte-americanos, mediante comunicação ao Congresso.
Trump utilizou essa justificativa ao assinar a ordem executiva na sexta-feira (16). A decisão interrompeu a aplicação das novas punições previstas na lei, não significando, por si só, o fim de todas as sanções que os Estados Unidos já mantinham contra a Rússia.
China e Índia, importantes compradores de petróleo russo, haviam demonstrado preocupação com os efeitos que as tarifas poderiam provocar em suas relações comerciais com Washington.
Rússia comemora decisão, e democrata acusa Trump de ceder a Putin
A suspensão foi recebida de maneira favorável por Kirill Dmitriev, enviado russo para investimentos, que classificou a decisão como um momento histórico. Na avaliação dele, as punições previstas poderiam prejudicar a cooperação econômica entre Rússia e Estados Unidos.
A reação foi diferente entre adversários políticos de Trump em Washington. O deputado democrata Don Beyer acusou o presidente norte-americano de ceder a Putin e argumentou que o recuo enfraquece o apoio à Ucrânia, contrariando o objetivo das medidas aprovadas pelo Congresso.
Zelensky também lamentou a ausência de Lindsey Graham, um dos defensores do apoio norte-americano a Kiev e das sanções econômicas contra Moscou. Segundo o presidente ucraniano, a aprovação da legislação havia criado expectativas de continuidade do apoio dos dois principais partidos dos Estados Unidos à Ucrânia.
O líder ucraniano afirmou temer que Washington adote novas medidas de flexibilização das restrições econômicas impostas à Rússia.
A suspensão ocorre semanas antes das eleições legislativas norte-americanas, em um momento de preocupação com os custos de energia nos Estados Unidos. As tarifas previstas poderiam elevar os preços do petróleo, atingindo países que mantêm compras de combustíveis russos e ampliando os efeitos econômicos da guerra para além da Europa.
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