O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou, nesta semana, um requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar as causas do rombo bilionário nos Correios.
A proposta, que precisa do apoio de senadores e deputados, é vista pela oposição como chance de investigar a crescente crise financeira da estatal, que encerrou 2024 com prejuízo superior a R$ 2,6 bilhões, segundo dados do Ministério da Gestão e Inovação.
O valor representa metade do déficit total das estatais federais no período, o maior da série histórica, somando R$ 8,07 bilhões.
“Os Correios pertencem ao povo brasileiro”, afirmou Zé Trovão. “O Parlamento não pode se omitir diante de um rombo que compromete empregos, serviços essenciais e as contas públicas do país.”
Proposta de CPMI dos Correios
O requerimento para a criação da CPMI dos Correios prevê que a comissão seja formada por 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes, e funcione durante 180 dias, com orçamento de R$ 200 mil. A investigação deve abranger:
- as causas do rombo financeiro recorde;
- suspeita de fraudes contratuais e desvios de recursos;
- irregularidades em licitações e contratos;
- o impacto da crise nos serviços e nos trabalhadores;
- a dívida de R$ 15 bilhões do fundo de pensão Postalis;
- decisões controversas da atual gestão, como:
- desistência de ação trabalhista bilionária;
- assunção de dívidas do Postalis;
- pagamento de cerca de R$ 200 milhões em “vale-peru”; e
- ampliação de despesas administrativas em meio à crise.
Zé Trovão destacou que há indícios de má gestão e possível aparelhamento político. “Queremos transparência, auditoria e responsabilização.”
CPI em paralelo na Câmara
Enquanto busca apoio para a CPMI no Congresso, Zé Trovão também retoma a coleta de assinaturas em apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios na Câmara, junto dos deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Luciano Zucco (PL-RS).
O grupo retomou a coleta de assinaturas depois de vir à tona o pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões feito pela estatal ao sistema financeiro com garantia do Tesouro Nacional. O financiamento bilionário, que vem sendo negociado para 2025 e 2026, de R$ 10 bi por ano, acendeu o alerta entre parlamentares.
“Estamos falando de uma empresa estratégica que não pode depender de socorro do Tesouro para continuar funcionando”, disse Zé Trovão. “A CPI é necessária para apurar responsabilidades.”
Até agora, o requerimento da CPI já conta com 125 das 171 assinaturas necessárias. A comissão terá 27 membros titulares, igual número de suplentes e prazo inicial de 120 dias, prorrogável.