Após pressão de Lula, Zanin impõe prorrogação da votação em todo o Brasil

Ministro mandou manter as urnas abertas até as 19h em todo o Brasil, e o TSE interrompeu a divulgação dos votos.

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Lula, de terno azul, coloca a mão sobre o peito de Cristiano Zanin, que usa óculos e toga preta.
Zanin mandou prorrogar a votação após pedido da coligação de Lula. (Foto de arquivo: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente Lula pressionou publicamente pela prorrogação da votação, sua coligação acionou a Justiça e o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma mudança de alcance nacional no encerramento do segundo turno deste domingo (25). A ordem obrigou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a manter as urnas abertas até as 19h, duas horas além do horário previsto. Minutos depois, a Corte Eleitoral interrompeu a divulgação dos votos.

A dimensão da intervenção contrasta com a origem do pedido. A reclamação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula, tratava de supostos problemas no transporte público em três municípios da Bahia. A resposta de Zanin, porém, não se limitou às cidades citadas: alcançou todas as seções eleitorais do país, alterando o encerramento de uma votação que já estava na reta final.

Reclamação sobre três cidades resulta em ordem para todo o Brasil

A coligação de Lula alegou insuficiência de ônibus para transportar eleitores em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Seus advogados pediram à Justiça Eleitoral que o prazo para votar fosse prorrogado das 17h para as 19h.

A campanha levou a demanda ao TSE e, simultaneamente, acionou o Supremo. No STF, a ação foi distribuída a Cristiano Zanin. Segundo as informações apresentadas sobre a decisão, os fatos chegaram ao conhecimento do ministro às 16h32, a menos de meia hora do encerramento originalmente estabelecido no calendário eleitoral.

Zanin invocou a “gravidade dos fatos” e determinou a prorrogação em todo o território nacional. Com isso, uma reclamação concentrada em três municípios baianos produziu uma mudança no funcionamento das seções eleitorais de todo o Brasil.

A abrangência da decisão é o ponto mais sensível do episódio: quais elementos justificaram levar a medida a localidades que não haviam sido incluídas na reclamação? A reportagem inicial não apresenta informações sobre dificuldades de transporte em todo o país nem detalha a fundamentação jurídica completa utilizada para estender o prazo nacionalmente.

Lula cobrou duas horas extras e falou em prisão de prefeitos

A intervenção de Zanin ocorreu depois de uma cobrança pública do próprio Lula. Na tarde deste domingo, o presidente acusou gestores municipais de dificultar o deslocamento de eleitores ao reduzir a circulação de ônibus e anunciou que pediria a prisão de prefeitos envolvidos em eventuais irregularidades.

“Não vamos permitir que haja roubalheira, que haja bandido, que haja um prefeito mau caráter e prefeito bandido”

Lula, em declaração a jornalistas neste domingo

O petista mencionou nominalmente Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, e André Mendonça, cobrando providências imediatas para garantir mais duas horas de votação.

A pressão também chegou ao transporte público de São Paulo. Advogados do PT apresentaram medidas judiciais contra integrantes da administração municipal, incluindo pedidos de prisão do secretário de Mobilidade, Celso Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, sob a alegação de redução irregular da frota.

As acusações partiram de Lula e de sua campanha. Os pedidos de prisão não representam comprovação das irregularidades nem decisão judicial determinando a detenção dos gestores.

TSE ainda analisava a demanda quando veio a ordem do Supremo

Antes da determinação de Zanin, Nunes Marques havia informado que a Justiça Eleitoral já examinaria o assunto. Questionado sobre a cobrança de Lula, o presidente do TSE declarou:

“Já existe uma demanda no TSE nesse sentido e isso será analisado no seu tempo”

Kassio Nunes Marques, presidente do TSE

A sequência expõe o caráter extraordinário da intervenção. O tribunal responsável pela organização das eleições tinha uma solicitação sob análise quando recebeu uma ordem do STF para modificar o horário em todas as seções do país.

O calendário eleitoral de 2026 estabelecia o encerramento às 17h, pelo horário de Brasília, seguido da emissão dos boletins de urna. A determinação de Zanin substituiu esse prazo por um encerramento às 19h, exigindo providências da Justiça Eleitoral enquanto o processo de votação chegava ao fim.

Zanin foi advogado de Lula e indicado por ele ao STF

O ministro que determinou a prorrogação tem uma relação profissional anterior com o presidente. Cristiano Zanin integrou a defesa de Lula em processos da Operação Lava Jato e foi indicado pelo petista ao Supremo em 2023.

Durante a sabatina no Senado, Zanin reconheceu a proximidade construída com Lula ao longo da atuação como advogado e declarou que exerceria o cargo de ministro sem subordinação a quem o indicou. Também afirmou que observaria as regras de impedimento e suspeição previstas na legislação.

Neste domingo, o processo apresentado pela coligação de Lula foi distribuído a Zanin, que concedeu a medida urgente. A relação profissional anterior e a indicação presidencial fazem parte do histórico público do magistrado, enquanto a análise da regularidade da decisão depende de sua fundamentação e das regras aplicáveis ao caso.

TSE interrompe divulgação dos votos após a decisão

O efeito da ordem não ficou restrito ao horário das urnas. Minutos depois da determinação de Zanin, o TSE interrompeu a divulgação dos votos do segundo turno, alterando também o cronograma de apresentação dos resultados ao público.

A interrupção da divulgação não significa, necessariamente, que a contagem dos votos tenha sido paralisada. São procedimentos distintos. Mas o episódio exige esclarecimentos sobre a comunicação da decisão aos tribunais regionais e às seções que já poderiam estar encerrando o atendimento.

Também não estava esclarecido, nas informações inicialmente divulgadas, como seriam tratadas as urnas cujos procedimentos de encerramento já tivessem começado, nem quando a publicação dos resultados seria retomada.

O que está documentado é uma sequência de consequências nacionais: Lula exigiu a prorrogação, sua coligação levou a reclamação ao Supremo, Zanin determinou duas horas extras para todo o país e o TSE interrompeu a divulgação dos votos. A dimensão da ordem, diante de um pedido fundamentado em problemas de transporte de três municípios, permanece como o principal ponto a ser esclarecido pela Justiça.

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