O Ministério Público do Piauí (MPPI) investiga possíveis irregularidades em um contrato de R$ 11 milhões firmado entre a Secretaria de Estado da Educação (Seduc-PI) e a empresa Tron Atividades de Apoio à Educação Ltda. O acordo envolve materiais e capacitação para atividades de robótica em escolas da rede pública estadual.
O contrato foi firmado sem processo licitatório e utiliza recursos federais destinados à educação. A apuração teve início após o Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) receber uma representação que questionava a contratação e apontava possível favorecimento da empresa.
A abertura do inquérito civil não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas. O objetivo da investigação é reunir documentos e esclarecer as circunstâncias da contratação.
Contrato chegou a R$ 11 milhões
O acordo entre a Tron e a Seduc-PI foi assinado em 19 de agosto de 2025, inicialmente no valor de aproximadamente R$ 4,99 milhões.
Posteriormente, o contrato recebeu aditivos superiores a R$ 6 milhões, fazendo com que o valor total chegasse a R$ 11 milhões. A vigência está prevista até agosto de 2027.
O projeto prevê o fornecimento de 15 mil kits de robótica e a capacitação de professores de 100 escolas estaduais. A proposta é utilizar a robótica como ferramenta pedagógica para estudantes do ensino médio.
MPPI apura contratação sem licitação
Um dos pontos analisados pelo Ministério Público é a forma como a contratação foi realizada.
Segundo informações apresentadas ao TCE-PI, um estudo técnico elaborado pela própria Secretaria de Educação teria identificado outras empresas com capacidade para executar serviços relacionados ao objeto do contrato.
A existência de possíveis fornecedores alternativos passou a fazer parte dos questionamentos sobre a contratação direta. O MPPI solicitou documentos e informações à Seduc-PI e ao Tribunal de Contas para aprofundar a análise do caso.
Até o momento, a investigação ainda está em andamento e não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade da empresa ou de pessoas relacionadas ao contrato.
Qual é a relação de Whindersson Nunes com a empresa?
O nome de Whindersson Nunes aparece relacionado ao projeto de robótica. A portaria do Ministério Público cita a Tron como empresa vinculada ao influenciador.
A equipe jurídica do humorista, porém, afirma que Whindersson não faz parte do quadro societário da empresa que é alvo do inquérito.
Segundo a defesa, a participação societária do artista está restrita à empresa proprietária do método utilizado no projeto. O método é licenciado para diferentes empresas, incluindo a Tron.
Os advogados também afirmam que Whindersson não exerce funções administrativas, operacionais ou de gestão nas empresas responsáveis pela distribuição e comercialização do método.
Whindersson já chamou empresário da Tron de sócio
A relação do humorista com o projeto também aparece em declarações anteriores.
Segundo o UOL, Whindersson afirmou em 2023 que conheceu Gildário Dias Lima, proprietário da Tron, em 2021 e se referiu a ele publicamente como “sócio”. Na ocasião, o influenciador destacou seu interesse pelo projeto por envolver ciência, tecnologia e educação.
A defesa, entretanto, esclarece que essa relação não significa que Whindersson integre o quadro societário da empresa contratada pela Secretaria de Educação.
O que será analisado pelo Ministério Público
O inquérito civil deverá reunir documentos e informações para esclarecer como ocorreu a contratação da Tron pela Seduc-PI.
Entre os pontos sob análise estão a contratação direta, os procedimentos administrativos utilizados, a justificativa para a escolha da empresa e as condições estabelecidas no contrato.
A Tron e a Secretaria de Educação do Piauí foram procuradas para apresentar seus posicionamentos. Até a publicação da reportagem consultada, o espaço permanecia aberto para manifestações.
O caso segue sob investigação pelo Ministério Público do Piauí.