O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, negou à Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira, 30, que havia planejado fugir do país. Ele também rejeitou ter participado da criação de grupos para intimidar ou pressionar opositores.
As declarações ocorreram durante depoimento sobre as investigações envolvendo os grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”.
Segundo a defesa, Vorcaro afirmou que não praticou, ordenou ou participou de atos de violência, ameaça, perseguição ou intimidação. Os advogados também negaram que as investigações tenham comprovado a existência de estruturas organizadas com essas características.
A PF investiga a atuação de “A Turma” e “Os Meninos”. Segundo os investigadores, os grupos teriam realizado ações de intimidação, monitoramento e acesso indevido a informações de terceiros. A existência das estruturas surgiu a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
Defesa de Vorcaro contesta interpretação das mensagens

Aos investigadores, Vorcaro afirmou conhecer apenas Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Segundo os advogados, ele mantinha com Mourão um contrato formal para serviços de inteligência e segurança digital.
A defesa também contestou a interpretação de mensagens privadas atribuídas ao ex-banqueiro. Os advogados classificaram alguns trechos como “desabafos” feitos em momentos de indignação e afirmaram que as mensagens não produziram consequências práticas nem representaram risco real a terceiros.
Mourão é apontado pela PF como integrante de “A Turma”. Ele chegou a ser preso durante a investigação e morreu depois de uma tentativa de suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte.
Vorcaro também negou ter tentado fugir do Brasil. A defesa afirmou que a viagem internacional que motivou sua prisão já estava programada e havia sido comunicada previamente a autoridades. Os advogados citaram reservas de hotel, salas de reunião e plano de voo como elementos que, na avaliação deles, afastariam a hipótese de fuga.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um voo internacional. Posteriormente, ele voltou a ser preso no âmbito das investigações.
Ao final do depoimento, a defesa pediu a liberdade do banqueiro. Os advogados sustentam que não existem motivos atuais para manter a prisão preventiva e afirmam que Vorcaro pode responder às investigações em liberdade.