O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, rebateu comentários feitos pelo mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre a guerra travada entre 1864 e 1870 que envolveu os dois países, mais Argentina e Uruguai.
“A Guerra Guasú [nome que os paraguaios deram ao conflito] deixou nosso país em ruínas; nos reerguemos com coragem de ferro e fortaleza titânica. Devemos falar desse episódio com franqueza histórica. Foi um capítulo vergonhoso, orquestrado por meio de um tratado funesto para destroçar nossa nação. Essa guerra, que massacrou nossas crianças, incendiou hospitais e saqueou Assunção, enluta nossa memória”, escreveu Alliana no X nesta segunda-feira (27).
“Estamos trabalhando para o futuro, mas a devolução do canhão El Cristiano, dos arquivos e das relíquias históricas pelo Brasil poderia servir como um gesto de fraternidade para ajudar a reparar esse passado”, acrescentou o vice-presidente paraguaio, citando o armamento levado pelo Brasil como troféu de guerra e que hoje está exposto no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
Em visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), na sexta-feira passada (24), Lula citou a Guerra do Paraguai em uma fala na qual abordou a necessidade de o Brasil investir em defesa.
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, disse o presidente, em uma declaração que foi recebida com revolta por políticos do Paraguai.