O vereador petista Senival Moura foi preso em São Paulo nesta quinta-feira (26). Investigações apontam que ele teria participado de um desvio de R$ 15 milhões de uma empresa de ônibus dominada pelo PCC, mas foi poupado de uma sentença de morte da facção devido à sua influência política.
Qual é a principal acusação contra o vereador Senival Moura?
O parlamentar é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro dentro da Transunião, uma empresa de transporte público na Zona Leste de São Paulo. A polícia indica que a facção criminosa PCC utilizava a empresa para esquentar dinheiro ilícito, e o vereador teria participado do desvio de recursos da própria organização criminosa, além de usar verba do esquema para financiar sua reeleição em 2020.
Por que o vereador foi poupado pelo ‘tribunal do crime’?
Em 2020, o PCC descobriu um rombo de R$ 15 milhões na Transunião e condenou à morte os responsáveis. O sócio do vereador, Adauto Soares Jorge, foi executado. Senival Moura também estava na lista, mas foi perdoado. Segundo o Ministério Público, a facção entendeu que ele era mais útil vivo, usando seu cargo e influência na Prefeitura para manter contratos públicos milionários e garantir o ressarcimento do prejuízo.
Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro nos ônibus?
Empresas de ônibus são usadas pelo crime organizado porque lidam com muito dinheiro em espécie e contratos longos com o governo. Na Transunião, o capital social saltou de R$ 100 mil para R$ 50 milhões sem origem comprovada. Esse dinheiro ‘inflado’ permitia vencer licitações. Parte do lucro real da operação e dos subsídios pagos pela Prefeitura era desviada diretamente para o caixa da facção por meio de laranjas.
O que a investigação descobriu sobre o patrimônio do parlamentar?
Relatórios de inteligência financeira apontaram uma evolução patrimonial incompatível com os ganhos de um vereador. Entre 2019 e 2022, Moura movimentou cerca de R$ 4,4 milhões, apresentando uma diferença sem explicação de R$ 2,4 milhões. A Justiça também identificou a ocultação de bens, como imóveis de luxo em São Paulo e Minas Gerais, registrados em nome de familiares, como esposa, filhos e irmão.
Como reagiram a defesa e o partido do vereador?
A defesa de Senival Moura negou qualquer irregularidade e disse que ele não ocupa cargos de gestão na Transunião há mais de seis anos, classificando a prisão como ‘surpreendente’ por ocorrer perto do período eleitoral. Já o diretório municipal do PT afirmou que o partido não compactua com o crime organizado, mas que aguardará o desenrolar das investigações para se manifestar oficialmente.