O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (26) que o Brasil precisa reforçar as Forças Armadas para evitar ser “pego de surpresa” diante do atual cenário internacional de conflitos. Em um evento em Santa Catarina, o petista citou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender investimentos na defesa nacional e reforçar o discurso em favor da soberania brasileira.
Ao comentar o momento de instabilidade mundial, Lula afirmou que o país não deseja participar de conflitos, mas precisa estar preparado para proteger seu território. Com o agravante, disse, da grande extensão das fronteiras e das riquezas minerais, como o petróleo na costa brasileira.
“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa […]. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano, ele quer tomar a Groelândia, o Canadá, que vai virar estadunidense. Vai tomar o Canal do Panamá, sabe, onde que nós estamos, questionou no evento de batismo da Fragata Cunha Moreira, na cidade catarinense de Itajaí.
Lula também afirmou que o mundo atravessa um período de forte tensão internacional e defendeu que o Brasil fortaleça sua capacidade de defesa. Recentemente, o ministro José Múcio Monteiro, da Defesa, reclamou do atual orçamento de R$ 142 bilhões que “não dá para absolutamente nada”.
“Estamos vendo o mundo vivendo a maior concentração de conflitos da história depois da Segunda Guerra, e temos que lembrar que ninguém respeita quem não se respeita”, disse.
O presidente emendou afirmando que incluirá a questão da defesa nacional em seu programa de governo “para a gente poder assumir compromisso público com que tipo de defesa a gente vai querer nesse país”.
Lula adotou críticas a Trump em seus discursos desde o ano passado por conta das ameaças do presidente norte-americano de assumir o controle à força da Groenlândia e do Canal do Panamá. Também reforçou os ataques após os Estados Unidos classificarem as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A avaliação do governo brasileiro é de que essa classificação pode abrir espaço para medidas mais duras por parte dos americanos e, em uma hipótese extrema, servir de argumento para uma eventual operação militar em território brasileiro, a exemplo do que ocorreu em outros países.
Outra crítica frequente de Lula tem sido à possibilidade de uma nova taxação dos Estados Unidos aos produtos exportados brasileiros, que foi reforçada nesta sexta-feira (26) pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Ele enviou uma carta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em resposta a um pedido para evitar uma nova rodada de tarifas.