Unicamp cria açúcar que pode mudar seu café: glicose sobe mais devagar

Novo açúcar mantém o sabor tradicional e apresentou baixo índice glicêmico em testes com 25 voluntários; produto ainda não está à venda.

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Cientista de jaleco branco observa uma amostra ao microscópio durante atividade de pesquisa em laboratório.
Pesquisa científica em laboratório. Cientistas ligados à Unicamp desenvolveram um açúcar de cana que apresentou menor índice glicêmico sem perder o sabor tradicional. | Foto: Getty Images/Unsplash

Um açúcar com o mesmo sabor do tradicional, mas que faz a glicose subir mais devagar. Essa é a proposta de uma inovação desenvolvida por pesquisadores ligados à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que pode abrir caminho para uma nova geração de ingredientes utilizados em alimentos e bebidas.

A descoberta combina açúcar de cana com antioxidantes extraídos de resíduos de café e amendoim. Em testes preliminares, a formulação apresentou índice glicêmico reduzido de médio para baixo, sem modificar o sabor característico da sacarose.

O trabalho foi realizado por pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Como funciona o açúcar criado pela Unicamp?

O ingrediente utiliza a sacarose convencional, extraída da cana-de-açúcar, combinada com compostos antioxidantes obtidos de materiais que normalmente são descartados no processamento industrial.

Os pesquisadores aproveitaram a película que envolve o amendoim e grãos verdes de café rejeitados por apresentarem defeitos.

A incorporação dos compostos ocorre por um processo chamado cocristalização, que permite introduzir os extratos antioxidantes na estrutura dos cristais de açúcar.

Apesar da utilização de derivados do café, o ingrediente não fica com gosto de café. Segundo a equipe, seu sabor continua semelhante ao do açúcar comum.

Testes mostraram que a glicose sobe mais lentamente

Para avaliar os efeitos da formulação, os cientistas realizaram um estudo preliminar com 25 voluntários, durante seis dias de testes.

Os participantes consumiram diferentes formulações, incluindo sacarose modificada e misturas com extratos de café e amendoim. Os níveis de glicose no sangue foram acompanhados durante duas horas após o consumo.

A combinação dos dois extratos apresentou resultados considerados promissores pelos pesquisadores, reduzindo o índice glicêmico do açúcar da classificação média para baixa.

O índice glicêmico indica a rapidez com que um alimento contendo carboidratos eleva a glicose no sangue.

A equipe ainda não divulgou o percentual exato dessa redução. Portanto, não há dados publicados suficientes para afirmar que o produto diminua pela metade os picos de glicose.

O novo açúcar tem menos calorias?

Essa questão ainda não foi esclarecida. Segundo a professora Juliana Macedo, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, a hipótese inicial é que a nova formulação tenha valor calórico semelhante ao do açúcar tradicional.

Novos estudos serão necessários para determinar se existem diferenças na absorção e no aproveitamento energético do ingrediente.

Ter baixo índice glicêmico não significa necessariamente conter menos calorias. Também não significa que o produto possa ser consumido livremente por pessoas com diabetes.

Quando o açúcar da Unicamp chegará aos supermercados?

Apesar dos resultados iniciais, ainda não existe uma data prevista para a comercialização.

A tecnologia teve um pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e está em uma etapa intermediária de desenvolvimento tecnológico.

A expectativa é que empresas da indústria alimentícia possam licenciar a inovação e avançar nas etapas de produção, validação e regulamentação.

Os pesquisadores também pretendem investigar possíveis efeitos do ingrediente sobre a microbiota intestinal, em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália.

Por enquanto, a descoberta representa uma possibilidade de desenvolvimento de alimentos com menor índice glicêmico. Os resultados ainda são preliminares e precisam de confirmação em estudos científicos mais amplos.

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