30 anos depois, ex-líder de gangue é condenado à prisão perpétua pela morte de Tupac Shakur

Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, recebeu sentença nos Estados Unidos por planejar o assassinato do rapper em 1996; condenado deverá cumprir pelo menos 40 anos antes de poder solicitar liberdade condicional.

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Duane “Keffe D” Davis, ex-líder de gangue condenado pela morte de Tupac Shakur, sentado em tribunal durante o processo judicial.
Duane “Keffe D” Davis, ex-líder de gangue condenado à prisão perpétua por planejar o assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. | Foto: Steve Marcus/Pool/Getty Images

A morte de Tupac Shakur, assassinado aos 25 anos em 1996, teve um desfecho judicial 30 anos depois. Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, ex-líder da gangue Southside Compton Crips, foi condenado nesta terça-feira (13), em Las Vegas, nos Estados Unidos, à prisão perpétua, com pena mínima de 40 anos antes de poder solicitar liberdade condicional.

Davis foi considerado culpado de homicídio em primeiro grau em 31 de agosto de 2026, após um julgamento sobre o assassinato ocorrido em setembro de 1996. Ele é a única pessoa formalmente acusada pelo crime que tirou a vida de Tupac, então com apenas 25 anos.

Como a morte de Tupac Shakur levou à condenação de Duane Davis

Segundo a acusação, Davis participou da organização do ataque contra o rapper, mas não foi apontado como o autor dos disparos.

Os promotores sustentaram que o assassinato ocorreu como retaliação a uma briga envolvendo Tupac, pessoas de seu grupo e Orlando Anderson, sobrinho de Davis, no cassino MGM Grand, em Las Vegas.

Horas depois, em 7 de setembro de 1996, Tupac estava no banco do passageiro de um carro dirigido pelo empresário musical Marion “Suge Knight” quando foi atingido por tiros disparados de outro veículo.

O rapper sofreu ferimentos graves e morreu seis dias depois, em 13 de setembro.

Declarações do próprio condenado ajudaram a esclarecer o crime

Durante quase três décadas, a investigação enfrentou dificuldades para reunir provas suficientes. A arma utilizada no assassinato nunca foi recuperada, e o silêncio de testemunhas dificultou o trabalho das autoridades.

O avanço da investigação sobre a morte de Tupac Shakur ocorreu, em parte, por causa das próprias declarações de Davis.

Ao longo dos anos, o ex-líder de gangue falou publicamente sobre o caso em entrevistas, documentários e podcasts. Em 2019, lançou o livro de memórias Compton Street Legend, no qual abordou seu envolvimento nos acontecimentos que antecederam a morte do rapper.

Essas declarações foram utilizadas pela promotoria. A juíza Carli Kierny autorizou a apresentação de informações retiradas do livro e de entrevistas anteriores durante o julgamento.

Juíza determina pena mínima de 40 anos antes de liberdade condicional

Ao anunciar a sentença no Tribunal do Oitavo Distrito Judicial de Clark County, a juíza Carli Kierny destacou a gravidade do assassinato e as consequências da morte de Tupac para seus familiares.

A condenação estabelece que Davis deverá cumprir um período mínimo de 40 anos de pena antes de se tornar elegível à liberdade condicional. Isso não significa libertação automática após esse prazo.

A sentença também reconhece 731 dias de crédito pelo período em que o condenado já permaneceu preso.

Irmã de Tupac fala sobre dor da família após 30 anos

Antes da leitura da sentença, Sekyiwa Shakur, irmã do rapper, falou ao tribunal sobre o impacto da morte do artista.

“Meu irmão nasceu um ícone. Ele nasceu uma lenda.”

Ela relatou que a perda afetou profundamente sua família e afirmou que Tupac tinha planos e potencial para desenvolver projetos além da música.

O meio-irmão do artista, Maurice “Mopreme” Shakur, também relembrou as consequências da violência que interrompeu sua trajetória.

Assassinato de Tupac marcou a história do hip-hop

A morte de Tupac ocorreu durante um período de rivalidade entre grupos ligados às cenas do rap da Costa Oeste e da Costa Leste dos Estados Unidos.

Seis meses depois, em março de 1997, outro nome importante do hip-hop, Christopher Wallace, conhecido como The Notorious B.I.G. ou Biggie Smalls, também foi assassinado a tiros.

Os dois crimes marcaram a história da música norte-americana e alimentaram discussões sobre a violência envolvendo artistas, gravadoras e integrantes de gangues naquela época.

No processo contra Davis, entretanto, o julgamento se concentrou especificamente no assassinato de Tupac.

A condenação pela morte de Tupac Shakur representa um desfecho judicial para um crime que permaneceu sem solução por quase três décadas. O rapper morreu aos 25 anos, deixando uma trajetória artística que continua influenciando o rap e a cultura hip-hop.

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