O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia uma possível ação militar contra os houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, depois de um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, capital da Arábia Saudita. A ofensiva de sábado (10) deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos, segundo as autoridades sauditas.
Trump classificou o episódio como “terrível” e declarou que Washington poderá participar das operações militares conduzidas pela Arábia Saudita contra o grupo. O presidente norte-americano também anunciou a intenção de conversar com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sobre a escalada da violência.
A declaração ocorreu em meio ao agravamento dos confrontos no Oriente Médio. O governo saudita responsabiliza os houthis pelo ataque, considerado o mais letal contra o país em mais de uma década.
Trump admite participação dos EUA em ataques contra os houthis
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de os Estados Unidos se juntarem às operações sauditas, Trump afirmou que a hipótese está sendo analisada e que uma decisão poderá ser tomada rapidamente.
O presidente também sinalizou que pretende reavaliar a posição de Washington em relação ao Irã, principal aliado regional dos houthis, diante da intensificação das ofensivas contra instalações estratégicas sauditas.
Os Estados Unidos já estão envolvidos em um conflito com o Irã, iniciado em fevereiro de 2026. Uma participação direta nas operações contra os houthis ampliaria o envolvimento militar norte-americano na região.
Ataque a aeroporto deixa 12 mortos e mais de 300 feridos
O ataque de sábado atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, principal terminal aéreo da capital saudita. Entre os 12 mortos estão quatro sauditas, dois cidadãos de Bangladesh e pessoas dos Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão e Egito.
A ofensiva provocou cancelamentos e desvios de voos, além de mobilizar equipes de emergência para o atendimento das vítimas. Hospitais receberam centenas de feridos, alguns em estado grave.
Este foi o terceiro ataque ao aeroporto em uma semana. As autoridades sauditas apontam os houthis como responsáveis pela ofensiva mais recente, embora o grupo não tivesse assumido formalmente sua autoria nas primeiras informações divulgadas.
Houthis fazem novas ameaças e aeroporto permanece fechado
Neste domingo (11), os houthis voltaram a ameaçar aeroportos da Arábia Saudita e recomendaram que companhias aéreas, passageiros e funcionários evitem instalações aeroportuárias e o espaço aéreo do país.
O grupo declarou que os aeroportos sauditas, com exceção dos localizados nas cidades sagradas de Meca e Medina, podem ser atingidos por novas operações militares.
Diante das ameaças, as autoridades mantiveram suspensas as operações no aeroporto de Riade. As escolas da capital também passaram a adotar aulas remotas como medida de segurança.
Os novos alertas aumentaram a preocupação com a segurança da aviação civil e com a circulação de passageiros na região.
Marco Rubio condena ofensiva e Arábia Saudita promete resposta
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, condenou os ataques e confirmou que um cidadão dos Estados Unidos está entre as vítimas fatais.
Rubio afirmou que as ofensivas demonstram desrespeito à vida de civis e defendeu o fim imediato dos ataques. O chefe da diplomacia norte-americana também manifestou solidariedade às autoridades sauditas e às famílias das vítimas.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita prometeu uma resposta decisiva. O porta-voz das forças conjuntas, major-general Turki Al-Malki, classificou a ofensiva como um crime de guerra e uma violação do direito internacional humanitário.
Conflito ameaça rotas comerciais e abastecimento mundial de energia
A escalada ocorre depois do colapso de um cessar-fogo que havia reduzido os confrontos entre os houthis e a Arábia Saudita desde 2022.
Nas últimas semanas, o grupo ampliou os ataques com mísseis e drones, enquanto forças apoiadas pelos sauditas intensificaram operações militares no Iêmen.
Outro ponto de preocupação é o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. A região está entre as principais rotas utilizadas pelo comércio marítimo internacional e pelo transporte de energia.
O controle de áreas próximas ao estreito pelos houthis eleva o risco de interrupções no tráfego comercial e aumenta a pressão sobre a segurança regional.
Até a manhã deste domingo, Washington não havia anunciado uma decisão definitiva sobre a participação direta dos Estados Unidos em novas operações contra o grupo.
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