Trombose: veja os fatores de risco que vão além de cirurgias e internações

Sedentarismo prolongado, obesidade, hormônios e histórico familiar podem aumentar o risco de coágulos; especialista alerta para a combinação desses fatores.

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Pessoa sentada segura a perna com as duas mãos na região do joelho.
Trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas. A combinação de diferentes fatores pode aumentar o risco da doença. Foto: Boy_Anupong/Getty Images

A trombose venosa profunda não é um risco exclusivo de pacientes internados ou de pessoas que passaram por grandes cirurgias. Obesidade, longos períodos de imobilidade, uso de determinados hormônios, gravidez e histórico familiar também podem favorecer a formação de coágulos sanguíneos. O perigo aumenta especialmente quando diferentes fatores estão presentes ao mesmo tempo.

A cirurgiã vascular Andréa Klepacz explica que a trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma no interior de uma veia profunda, geralmente nas pernas, dificultando ou bloqueando o retorno do sangue ao coração. Uma das complicações mais graves é a embolia pulmonar, provocada quando parte desse coágulo se desprende e chega aos pulmões.

Embora internações e cirurgias continuem entre as situações que exigem atenção, a especialista destaca que o risco também está relacionado a condições presentes na rotina, a determinados tratamentos médicos e a características individuais.

Ficar muito tempo sentado pode aumentar o risco de trombose?

O aumento do tempo dedicado ao trabalho diante do computador, ao home office e aos deslocamentos prolongados reduziu as oportunidades de movimentação ao longo do dia.

Segundo Andréa Klepacz, permanecer sentado por muitas horas não significa, isoladamente, que uma pessoa desenvolverá trombose. No entanto, a imobilidade prolongada favorece a estagnação do sangue nas veias das pernas, condição que merece atenção principalmente quando associada a outros fatores de risco.

Uma viagem longa, por exemplo, costuma representar risco muito baixo para uma pessoa saudável. A situação pode ser diferente quando o passageiro apresenta obesidade, passou recentemente por uma cirurgia, utiliza determinados hormônios ou possui histórico de trombose.

Idade avançada, antecedentes familiares e alterações hereditárias da coagulação também entram nessa avaliação.

“É a soma dos fatores que ajuda a definir quem merece maior atenção”, explica Andréa Klepacz.

Anticoncepcionais, gravidez e câncer exigem atenção

Entre as mulheres, alguns contraceptivos que contêm estrogênio e determinadas terapias hormonais podem aumentar o risco de formação de coágulos.

A gravidez e, especialmente, o período após o parto também provocam alterações no sistema de coagulação. Isso não significa que todas as mulheres devam evitar anticoncepcionais ou tratamentos hormonais, mas reforça a importância de considerar o histórico médico antes de iniciar ou manter essas terapias.

Tabagismo, obesidade, idade e antecedentes pessoais ou familiares de trombose são fatores que precisam ser avaliados em conjunto com o uso de hormônios.

O câncer também pode favorecer a formação de coágulos, com riscos diferentes conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e o tratamento realizado.

Cirurgias, traumatismos, internações e períodos de imobilização prolongada acrescentam outros elementos que podem aumentar a probabilidade de trombose.

Trombose pode provocar complicações meses ou anos depois

As consequências da trombose venosa profunda não se limitam ao período imediatamente posterior à formação do coágulo.

De acordo com a especialista, estudos estimam que entre 20% e 50% das pessoas que tiveram trombose venosa profunda podem desenvolver síndrome pós-trombótica, dependendo das características do episódio e da população analisada.

A complicação pode surgir meses ou anos depois e provocar inchaço persistente, dor, sensação de peso nas pernas, alterações na pele e varizes. Em situações mais graves, podem aparecer feridas de difícil cicatrização.

Esses problemas estão relacionados às obstruções residuais e aos danos que a trombose pode causar às válvulas das veias, comprometendo a circulação de retorno do sangue.

Mesmo com tratamento adequado, nem todos os casos de síndrome pós-trombótica podem ser evitados.

Como reduzir o risco de trombose

A prevenção depende da avaliação das condições individuais de cada paciente. Para algumas pessoas, reduzir o tempo de imobilidade e manter a movimentação regular pode ser suficiente.

Em situações de maior risco, especialmente durante determinadas internações ou depois de procedimentos cirúrgicos, os médicos podem recomendar medidas específicas de prevenção, incluindo o uso de medicamentos anticoagulantes.

O uso desses medicamentos exige avaliação médica individualizada, considerando os fatores de risco e as condições de saúde de cada paciente.

Quando a trombose já ocorreu, o diagnóstico rápido, a utilização correta dos medicamentos prescritos e a prevenção de novos episódios são fundamentais para reduzir complicações.

No Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, a orientação destacada pela especialista é reconhecer os fatores de risco antes que a formação de um coágulo comprometa a circulação. A avaliação deve considerar não apenas uma condição isolada, mas a combinação de circunstâncias que podem favorecer a doença.

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