O terrorista sírio Jihad al-Shamie, de 35 anos, autor do atentado a uma sinagoga na cidade inglesa de Manchester, que deixou duas pessoas mortas e quatro feridas nesta quinta-feira, 2, estava sob investigação por suspeita de estupro ocorrido no começo deste ano. A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian.
Ele havia sido preso, interrogado e libertado sob fiança, mas não chegou a ser formalmente acusado. Fontes policiais sugeriram ao jornal que ele possuía antecedentes criminais por delitos menores, sem ligação com terrorismo.
Quem é o terrorista de Manchester
Nascido na Síria, Al-Shamie chegou ao Reino Unido ainda criança e obteve a cidadania britânica em 2006, quando tinha cerca de 16 anos. Residente em Prestwich, região de Manchester, era descrito por vizinhos como alguém reservado, que raramente conversava com moradores locais e mantinha hábitos de musculação no jardim de casa. Segundo relatos, alternava entre roupas ocidentais e vestimentas tradicionais sírias.
Em declaração divulgada depois do atentado, o pai do agressor, Faraj al-Shamie, afirmou que o ataque “foi um choque profundo” e declarou que a família “condena veementemente esse ato hediondo, que teve como alvo civis pacíficos e inocentes”. Apesar da nota oficial, reportagens da BBC mostram uma publicação anterior de Faraj no Facebook que elogiava o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Na ocasião, mais de mil pessoas morreram e centenas foram feitas reféns.
Ataque fatal contra sinagoga
O atentado ocorreu quando a sinagoga estava lotada, em função das celebrações de Yom Kippur, a data mais sagrada do calendário judaico. Testemunhas relataram que o agressor avançou com um veículo contra pessoas reunidas diante do prédio e, em seguida, passou a atacar com uma faca. O rabino Daniel Walker, que conduzia o serviço religioso, afirmou que ouviu gritos e uma forte batida antes de ver o homem tentando forçar a entrada no templo. “Houve um grande número de pessoas tentando impedi-lo de avançar”, relatou.
Policiais armados responderam rapidamente e alvejaram o agressor. As investigações preliminares sugerem, no entanto, que um dos dois mortos foi atingido acidentalmente por disparos da própria polícia. Outro ferido também sofreu lesões por arma de fogo, consideradas não fatais. As investigações continuam para apurar eventuais falhas no monitoramento de Al-Shamie antes do atentado.