O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer (MDB) fechou um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, para atuar em questões relacionadas à tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). O acordo incluía serviços jurídicos e atuação em procedimentos perante o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU).
Assinado em 3 de setembro de 2025, o documento estabelecia honorários iniciais de R$ 10 milhões e previa outros R$ 20 milhões caso a negociação entre Master e BRB fosse concluída. A operação acabou barrada pelo Banco Central.
O contrato milionário coloca novamente Temer no centro das articulações que cercaram o Banco Master e expõe o interesse financeiro de seu escritório na aprovação de um negócio que dependia da autorização da autoridade monetária.
Contrato de Temer com Banco Master previa R$ 30 milhões
Os termos do acordo dividiam os honorários em duas etapas. A primeira estabelecia R$ 10 milhões em pagamentos iniciais, distribuídos em duas parcelas de R$ 5 milhões.
A segunda previa mais R$ 20 milhões vinculados ao êxito da operação de venda do Banco Master ao BRB.
R$ 10 milhões
R$ 20 milhões
O valor adicional representava dois terços do montante máximo previsto. Assim, a maior parcela da remuneração dependeria justamente do sucesso da negociação submetida à análise do Banco Central.
Escritório de Temer tinha atuação prevista no Banco Central e no TCU
Além dos serviços relacionados à venda do Master, o contrato atribuía ao escritório de Temer atividades jurídicas envolvendo procedimentos e questionamentos perante órgãos públicos.
Entre as instituições mencionadas estavam o Banco Central do Brasil e o Tribunal de Contas da União.
O acordo previa, portanto, uma atuação que não se limitava à elaboração de documentos privados. Seu alcance incluía questões regulatórias e institucionais diretamente relacionadas aos obstáculos enfrentados pelo banco de Daniel Vorcaro.
A negociação dependia da aprovação de uma autoridade pública, enquanto o escritório do ex-presidente tinha milhões de reais vinculados ao resultado favorável da operação.
Mensagens revelam cobranças de pagamentos e contatos com Vorcaro
A relação contratual também aparece em mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e o publicitário Elsinho Mouco, interlocutor de Michel Temer.
As conversas revelam tratativas sobre os honorários e cobranças relacionadas aos pagamentos previstos no acordo.
Os registros também apontam contatos entre o banqueiro e o ex-presidente em meio às tentativas de viabilizar a operação envolvendo o Banco Master.
As articulações ocorreram durante os meses que antecederam a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, quando a situação da instituição financeira já provocava crescente preocupação.
Banco Central barrou venda do Master ao BRB
Apesar das negociações e da contratação milionária, a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília não avançou.
O Banco Central vetou a operação, impedindo a concretização do negócio que condicionava os R$ 20 milhões adicionais previstos no contrato.
O desfecho tornou ainda mais relevante a distinção entre os valores contratados e os pagamentos efetivamente realizados. O acordo tinha potencial de chegar a R$ 30 milhões, mas isso não comprova que Temer tenha recebido toda a quantia.
A revelação amplia os questionamentos sobre a rede de contatos políticos, jurídicos e institucionais mobilizada em torno do Banco Master.
O contrato mostra que o escritório de um ex-presidente da República foi contratado por valores milionários para atuar em uma negociação bancária submetida ao crivo de órgãos públicos. O negócio não foi aprovado, mas a dimensão dos honorários e das articulações expõe mais um capítulo das relações entre o banco de Daniel Vorcaro e figuras influentes de Brasília.
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