A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado ontem (10), que o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser um “defensor” da democracia brasileira e passou a representar uma ameaça à própria democracia. O texto concentra críticas na atuação de Alexandre de Moraes, tanto pela condução do Inquérito das Fake News quanto por sua relação com Daniel Vorcaro.
Intitulado “Quando os defensores da democracia lhe viram as costas” (em tradução livre do inglês), o artigo afirma que o Supremo se tornou o centro de uma crise que pode comprometer a confiança dos brasileiros nas instituições.
“A Suprema Corte está no centro de um escândalo de corrupção sórdido e em constante expansão. No epicentro está o ministro que supervisionou o processo contra Bolsonaro: Alexandre de Moraes”, diz o texto. Segundo a Economist, Moraes tomou diversas “decisões questionáveis” na condução das ações relacionadas à suposta “trama golpista” e “menosprezou” a proposta de criação de um Código de Ética para o Supremo.
Sobre a atuação do ministro no inquérito das Fake News, a revista diz que a confidencialidade e a duração do processo dificultam determinar quantas contas nas redes sociais foram “censuradas” por Moraes. “Os abusos tornaram-se mais frequentes: Moraes tem utilizado o inquérito para blindar o caso, dada a sua atuação simultânea como vítima, acusador e juiz”, critica o artigo.
Já no contexto do caso Master, a Economist cita o contrato milionário firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, além do relatório da Polícia Federal (PF) que revelou conversas entre o ministro e Vorcaro.
A revista destaca que, nas mensagens, o banqueiro teria pedido orientações a Moraes, inclusive sobre quando deveria deixar o Brasil para evitar uma eventual prisão. “A frequência dessas mensagens aumentou pouco antes de Vorcaro ser preso ao tentar fugir do país, levantando receios sobre que tipo de orientação Moraes estava dando ao fraudador”, diz o texto.
O artigo também aborda a crise instalada no Supremo desde 1º de setembro, quando o sigilo do relatório da PF foi retirado por decisão do ministro André Mendonça, colega de Moraes na Corte.
Ao tratar dos possíveis efeitos do episódio, a Economist afirma que os “brasileiros estão cansados dos escândalos de corrupção que mancham a classe política em intervalos de poucos anos”. “O uso indevido de suas instituições poderia minar a confiança na democracia mais do que Bolsonaro jamais fez”, finaliza a revista.