Teresina - Piauí sexta-feira, 21 de agosto 37°C
Saúde

Sarampo: veja as cidades com as piores coberturas vacinais do Brasil, algumas com menos de 10%

Um levantamento elaborado pela plataforma ImpulsoGov, obtido com exclusividade por VEJA SAÚDE, identificou os 20 municípios brasileiros com as menores coberturas vacinais contra o sarampo em 2026.

Os dados são referentes ao período de janeiro a junho e mostram cidades em que menos de 10% das crianças foram imunizadas com a primeira ou segunda dose da tríplice viral. O imunizante protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Segundo a pesquisa, os estados com mais municípios no “top 20” de menores coberturas são Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (4), São Paulo (3) e Goiás (4).

Para a primeira dose, o menor índice brasileiro foi registrado em Serra Azul, município de São Paulo com 13.108 habitantes. Na região, a vacina foi aplicada em somente 7% da população-alvo (crianças de 12 meses).

Continua após a publicidade

Isso significa que só foram registradas as aplicações de três doses, enquanto a meta seria vacinar, ao menos, , segundo a ImpulsoGov.

Já em um recorte envolvendo apenas cidades com mais de 100 mil habitantes, o título de local com menor cobertura recai sobre Ribeirão Preto, também em São Paulo.

Na cidade, o percentual de vacinas aplicadas não passou dos 37%: foram 1.377 doses, enquanto a meta seriam

Continua após a publicidade

3.711.

Em seguida aparecem Sertãozinho (SP), com 46%, e Simões Filho (BA), com 53%.

Embora os índices registrados nas cidades maiores sejam superiores aos observados em municípios pequenos, eles ainda estão muito abaixo da meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) 95% da população-alvo.

Continua após a publicidade

Veja os municípios com as menores coberturas

De maneira geral, os índices entre as cidades com piores coberturas do Brasil variaram de 7% a 29% na primeira dose. Já na segunda, o cenário é ainda mais preocupante: as taxas ficam entre 1% e 18%.

O levantamento tem como base o painel de coberturas do Ministério da Saúde e considera o município de residência da criança, independentemente de onde a vacina foi aplicada.

Considerando todas as cidades do Brasil, o ranking de menores coberturas vacinais para a primeira dose fica entre:

  1. Serra Azul (SP) — 7%
  2. Capela de Santana (RS) — 10%
  3. Portão (RS) — 10%
  4. Artur Nogueira (SP) — 12%
  5. Balneário Barra do Sul (SC) — 14%
  6. Central do Maranhão (MA) — 17%
  7. Amparo do Serra (MG) — 18%
  8. Campestre da Serra (RS) — 20%
  9. Santa Tereza de Goiás (GO) — 22%
  10. André da Rocha (RS) — 22%
  11. Portelândia (GO) — 24%
  12. Pratápolis (MG) — 24%
  13. Rio Doce (MG) — 25%
  14. Toropi (RS) — 25%
  15. Cerro Grande (RS) — 27%
  16. Miguel Leão (PI) — 27%
  17. Aurilândia (GO) — 27%
  18. Biquinhas (MG) — 29%
  19. Palmópolis (MG) — 29%
  20. Alto Alegre (SP) — 29%
Continua após a publicidade

Já considerando somente as cidades com mais de 100 mil habitantes:

  1. Ribeirão Preto (SP) — 37%
  2. Sertãozinho (SP) — 46%
  3. Simões Filho (BA) — 53%
  4. Santo André (SP) — 54%
  5. Belford Roxo (RJ) — 58%
  6. Trindade (GO) — 62%
  7. Breves (PA) — 63%
  8. Santarém (PA) — 67%
  9. São José de Ribamar (MA) — 68%
  10. Itaituba (PA) — 69%
  11. Paulista (PE) — 69%
  12. Novo Gama (GO) — 69%
  13. Olinda (PE) — 70%
  14. Franca (SP) — 70%
  15. Feira de Santana (BA) — 70%
  16. Timon (MA) — 70%
  17. Santa Rita (PB) — 70%
  18. Sapucaia do Sul (RS) — 70%
  19. Caxias (MA) — 71%
  20. Lauro de Freitas (BA) — 72%

Segunda dose: cobertura chega a apenas 1%

A primeira dose da vacina tríplice viral é recomendada aos 12 meses de idade. Já a segunda deve ser aplicada aos 15 meses e pode ser feita com a vacina tetraviral, que acrescenta a proteção contra varicela.

Continua após a publicidade

O levantamento mostra que a segunda dose feita com tríplice viral tem percentuais ainda menores que a primeira. 

Para ter ideia, em Capela de Santana (RS), a cobertura (já baixa) cai de 10% para apenas 1% na segunda aplicação. O município registrou uma dose, enquanto deveria vacinar, pelo menos, 72 crianças residentes. 

Segundo Juliana Ramalho, gerente de Saúde Pública e Relações Governamentais da ImpulsoGov, o esquema vacinal incompleto das crianças é uma das principais preocupações em relação aos números encontrados pelo levantamento.

“O primeiro ano de vida da criança é intenso, com muitas consultas e vacinas. Depois dos 12 meses, ela passa a frequentar menos os serviços de saúde, e os pais podem acabar esquecendo ou adiando as doses”, comenta.

“Mas é importante manter a mesma atenção até completar o esquema vacinal. Caso contrário, aumentamos o risco de a doença voltar a circular“, reforça a especialista.

Assim, aparecem no ranking:

  1. Capela de Santana (RS): 1%
  2. Coronel José Dias (PI): 4%
  3. Santa Cruz do Arari (PA): 4%
  4. Serra Azul (SP): 4%
  5. Artur Nogueira (SP): 7%
  6. Portão (RS): 8%
  7. Miguel Leão (PI): 9%
  8. Cerro Branco (RS): 9%
  9. Turibá (SP): 11%
  10. André da Rocha (RS): 11%
  11. Balneário Barra do Sul (SC): 13%
  12. Central do Maranhão (MA): 13%
  13. Lourdes (SP): 14%
  14. Alto Bela Vista (SC): 14%
  15. Amparo do Serra (MG): 15%
  16. Matopólis (MG): 15%
  17. Flora Rica (SP): 17%
  18. Tufilândia (MA): 17%
  19. Milton Brandão (PI): 17%
  20. Sud Mennucci (SP): 18%

Já entre os municípios maiores, a lista de menores coberturas de tríplice viral na segunda dose é:

  1. Ribeirão Preto (SP): 31%
  2. Franca (SP): 38%
  3. Breves (PA): 39%
  4. Belford Roxo (RJ): 39%
  5. Sertãozinho (SP): 40%
  6. Santarém (PA): 42%
  7. Timon (MA): 42%
  8. Santo André (SP): 44%
  9. São José de Ribamar (MA): 44%
  10. Simões Filho (BA): 45%
  11. Paulista (PE): 45%
  12. Olinda (PE): 46%
  13. São Leopoldo (RS): 47%
  14. Itaituba (PA): 47%
  15. São João de Meriti (RJ): 48%
  16. Japeri (RJ): 48%
  17. Planaltina (GO): 48%
  18. Trindade (GO): 49%
  19. Magé (RJ): 49%
  20. Santa Rita (PB): 49%

Ressalvas e limitações do estudo

Apesar dos números alarmantes, especialistas fazem a ressalva de que dados administrativos de cobertura vacinal sofrem influência de diversos fatores, como a notificação, o envio das informações para o sistema nacional e a compatibilidade entre os diferentes sistemas de notificação utilizados pelos municípios e pelo Ministério da Saúde.

“Por isso, nem sempre é possível estabelecer uma relação de causa e efeito a partir desses números. É preciso ter muita cautela na análise, porque eles não necessariamente representam o que está acontecendo de fato”, explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

É importante destacar, também, que os números não representam a parcela da população total de cada cidade que está vacinada. A cobertura vacinal é calculada sobre a população-alvo, ou seja, o número estimado de crianças que deveriam receber a vacina.

Neste caso, seriam bebês com 12 meses para a primeira dose e com 15 meses para a segunda.

Além disso, os dados são contabilizados de acordo com o município de residência da criança, mesmo que ela tenha sido vacinada em outra cidade.

Por que a vacinação importa

Segundo Kfouri, o desafio do Brasil agora é elevar as coberturas vacinais, mas, ao mesmo tempo, garantir que elas sejam homogêneas e oportunas. Isso significa assegurar o esquema completo, na idade recomendada e para o maior número possível de crianças.

“Não adianta dar duas doses para as crianças, em vez de aos 12 e 15 meses, dar aos 18 e 23 meses”, afirma. Isso porque atrasar a imunização significa prolongar o período em que o neném fica suscetível à infecção.

Por isso, embora o Brasil ainda registre poucos casos da doença  até a última semana foram contabilizados 24 casos , os especialistas destacam que o cenário de queda merece atenção.

“O Brasil recebeu o certificado de país livre do sarampo em 2024. Ou seja, os casos eram quase nulos. Então, quando olhamos para o contexto, esse aumento já gera um ponto de atenção”, diz Ramalho.

A preocupação é reforçada pelo quão transmissível é o sarampo, que já foi um das principais causas de morte infantil no mundo. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas sem imunidade.

Ramalho destaca, ainda, que a proteção não termina na fronteira de um município, já que uma região com baixa cobertura pode afetar as demais. “E mesmo em cidades com poucas crianças, se houver circulação do vírus e parte delas não estiver protegida, existe espaço para que a doença volte”, lembra.

Por isso, no caso de doenças altamente transmissíveis como o sarampo, é preciso que a maior parte das pessoas esteja protegida, em todas as regiões e no momento certo.

“Afinal, enquanto houver bolsões de baixa cobertura, o vírus encontra brechas para voltar a circular”, diz a especialista.

Prefeituras de municípios citados foram procuradas pela VEJA SAÚDE e não haviam respondido até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.