• A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para retornar temporariamente ao Brasil, visando a participar das eleições e votar em sua mãe, que concorre a uma vaga de deputada federal.
• O pedido de habeas corpus preventivo foi protocolado em 21 de setembro de 2026 e busca impedir sua prisão durante a entrada e saída do país.
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para que ela retorne temporariamente ao Brasil sem ser presa. O objetivo declarado é permitir que a ex-parlamentar participe das eleições, vote na própria mãe e depois retorne à Itália.
O habeas corpus preventivo foi apresentado na segunda-feira 21. A defesa quer que o STF impeça a prisão da ex-deputada durante a entrada, a permanência e a saída do país.
A mãe da ex-deputada, Rita Luzia Zambelli Salgado, de 76 anos, disputa uma vaga de deputada federal por São Paulo pelo Partido Liberal. Zambelli participa à distância da campanha eleitoral da família.
O pedido foi protocolado pelo advogado Eduardo Maurício, que passou a integrar a defesa da ex-parlamentar. Ele atua em conjunto com os profissionais responsáveis pelos processos de extradição na Itália.
Salvo-conduto de Zambelli tenta suspender condenações
Além da autorização para a viagem, a defesa pede que o Supremo suspenda a execução das duas condenações impostas a Zambelli. As penas somam 15 anos e três meses de prisão.
Na primeira ação, o STF condenou Zambelli a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de documentos falsos. Entre eles estava um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A condenação estabeleceu ainda a perda do mandato parlamentar e o pagamento de multa. Moraes foi o relator do processo no Supremo.
Na segunda ação, a ex-deputada recebeu pena de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso envolve o episódio de outubro de 2022 em que ela perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo enquanto portava uma arma.
Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, antes do início do cumprimento das penas. No mês seguinte, foi presa em Roma. A Justiça italiana mandou soltá-la em maio deste ano, depois de rejeitar o primeiro pedido brasileiro de extradição.
Conforme noticiou Oeste, a decisão encerrou o processo relacionado à condenação pela invasão do sistema do CNJ. A ex-parlamentar, contudo, ainda enfrenta na Itália outro pedido de extradição, referente ao processo do porte ilegal de arma.
Defesa cita mensagens do caso Master
Para tentar suspender as condenações, os advogados mencionam mensagens encontradas nas investigações do caso Banco Master envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A defesa de Carla Zambelli afirma que a execução das penas deve ficar suspensa até que o Supremo examine os procedimentos relacionados às mensagens. O argumento representa uma tese dos advogados e ainda não foi acolhido pelo STF.
Segundo Eduardo Maurício, o pedido de salvo-conduto retende garantir exclusivamente a entrada da ex-deputada no Brasil, o exercício do voto e o retorno dela à Itália sem prisão durante o período necessário para essas finalidades.