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Rússia ameaça usar armas nucleares se Otan isolar Kaliningrado

Vladimir Putin é presidente da Rússia há cerca de18 anos | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Rússia informou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que pode recorrer a armas nucleares caso a aliança militar tente isolar Kaliningrado, território russo situado entre a Polônia e a Lituânia, às margens do Mar Báltico. A ameaça consta de uma nota diplomática enviada por Moscou aos países membros da Otan e divulgada nesta quarta-feira, 30.

No documento, o governo russo afirmou estar disposto a utilizar “todo o arsenal” à disposição do país, incluindo armas nucleares, para defender a região caso algum integrante da Otan tente interromper a ligação de Kaliningrado com o restante do território russo. Moscou também acusou a aliança de seguir uma política que poderia elevar o risco de um conflito militar direto.

Rússia fala em possível bloqueio de Kaliningrado

Segundo a nota, Moscou afirma ter informações de que a Otan estaria preparando um bloqueio aéreo e naval de Kaliningrado. O território é um exclave, separado fisicamente da Rússia continental, e fica entre dois integrantes da aliança militar.

Kaliningrado abriga estruturas militares russas, incluindo a Frota do Báltico e sistemas de mísseis Iskander com capacidade nuclear. A posição geográfica transforma a região em um ponto estratégico para Moscou no norte da Europa.

A Rússia também mencionou a possibilidade de realizar ataques contra centros de decisão de países da Otan desde o início de um eventual conflito. O documento, classificado como uma nota diplomática informal, não representa uma declaração formal de guerra.

Otan rejeita ameaça de Moscou

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, respondeu às declarações russas nesta quarta-feira. Segundo ele, a aliança é uma organização de caráter defensivo e não pretende ameaçar o território russo.

Rutte classificou a ameaça nuclear como inadequada e disse que Moscou deveria interromper as ameaças relacionadas ao uso de armas atômicas. O secretário-geral também afirmou que não considera iminente um confronto direto entre Rússia e Otan.

A troca de declarações ocorre em um momento de aumento das atividades militares no Mar Báltico. A região ganhou importância estratégica depois da entrada de Finlândia e Suécia na Otan, que ampliou a presença da aliança no entorno do território russo. Exercícios militares e episódios que envolvem embarcações e aeronaves também elevaram a tensão entre Moscou e países europeus.

A ameaça russa ocorre ainda no contexto da guerra na Ucrânia, que mantém as tensões nas relações entre Moscou e governos europeus.

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