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Destaque / Política

Risco de queima pesou na transferência de Vorcaro

Mendonça decide transferir Vorcaro para cela na Papudinha

A transferência de Daniel Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papupa, e não para um presídio comum, em junho, não foi uma decisão burocrática de gestão de vagas. Ela aponta o reconhecimento de que o ex-banqueiro corria risco de morte pelo que sabe.

A decisão, proferida pelo ministro André Mendonça em 25 de junho de 2026, foi mais que um despacho de transferência de custodiado, alertam investigadores a par das apurações. O documento registra a preocupação que circulava em conversas reservadas entre investigadores há semanas: a possibilidade de que Vorcaro fosse silenciado, de alguma forma, antes que as investigações avançassem, ou que cometesse suicídio.

Para entender o peso que o risco de “queima de arquivo” assumiu nas deliberações sobre a custódia de Vorcaro é necessário recuar a um episódio que marcou os investigadores que culminou com nove fases da Compliance Zero.

Um homem identificado pelas investigações pelo apelido de Sicário, apontado como integrante do grupo conhecido internamente como “A Turma”, uma estrutura paralela de espionagem e intimidação identificada nos celulares de Vorcaro e descrita pela PF e Procuradoria-Geral da República como uma milícia privada a serviço do banqueiro, tentou contra a própria vida dentro da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele morreu no hospital dias depois.