Mais de 100 militares britânicos participaram de um treinamento nas Ilhas Malvinas para simular a reação a uma eventual invasão da Argentina. Realizado no início de outubro, o exercício durou seis dias e reuniu tropas do Reino Unido e reservistas locais em operações inspiradas na guerra travada pelos dois países em 1982.
Segundo informações do jornal britânico The Times, os soldados percorreram 32 quilômetros durante uma marcha noturna, participaram de um ataque anfíbio e realizaram simulações de combate em terrenos rochosos. As atividades buscaram preparar as forças responsáveis pela defesa do arquipélago, controlado pelos britânicos e reivindicado pela Argentina.
Britânicos simulam combates e incorporam ameaças com drones
O major Nunkoosing, comandante da companhia envolvida na operação, afirmou que os exercícios permitiram aos militares compreender as dificuldades enfrentadas pelas tropas britânicas durante a guerra das Malvinas.
O treinamento também foi adaptado aos desafios dos conflitos atuais, com a inclusão de cenários envolvendo ataques cibernéticos e o uso de drones.
A operação foi apresentada como uma preparação para um eventual confronto. A reportagem não aponta a existência de uma invasão argentina iminente.
Milei aumenta pressão sobre soberania e exploração de petróleo nas Malvinas
Os exercícios ocorrem em meio à persistente disputa diplomática entre Londres e Buenos Aires. O presidente argentino, Javier Milei, voltou a reivindicar a soberania sobre as Malvinas e anunciou medidas contra empresas envolvidas na exploração de petróleo na região.
Em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), Milei classificou a exploração de combustíveis fósseis nas proximidades das ilhas como “ilegal e ilegítima”.
O 40graus já havia mostrado que Milei criticou a ONU e questionou sua atuação na disputa pelas Malvinas, acusando a organização de não fazer valer suas próprias resoluções.
O governo britânico, por sua vez, sustenta que os moradores do arquipélago têm o direito de decidir seu próprio futuro. A divergência sobre a soberania das ilhas permanece sem solução.
Guerra das Malvinas deixou mais de 900 mortos em 1982
A disputa levou Argentina e Reino Unido à guerra em abril de 1982, quando o governo militar argentino, comandado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas.
A então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher respondeu com o envio de uma força-tarefa para recuperar o controle do território. Após 74 dias de combates, as forças argentinas se renderam, em junho daquele ano.
O conflito deixou 649 argentinos, 255 militares britânicos e três habitantes das ilhas mortos.
Mais de quatro décadas depois, o arquipélago continua sob administração britânica, enquanto a Argentina mantém sua reivindicação de soberania. Os novos exercícios militares ocorrem nesse contexto de disputa territorial ainda não resolvida.
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