O Partido dos Trabalhadores (PT) liderou a votação para deputado federal em seções eleitorais instaladas em presídios de grande parte dos principais colégios eleitorais do Brasil nas eleições de 2026. O resultado aparece em levantamento realizado pela Gazeta do Povo, que identificou a presença de candidatos petistas entre os mais votados nessas unidades, embora parte deles não tenha conseguido conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Os números abrangem os votos registrados nas seções prisionais, que também recebem eleitores que trabalham nesses estabelecimentos, como policiais penais, agentes penitenciários, servidores e mesários. Por isso, os resultados não permitem identificar separadamente a preferência eleitoral dos detentos.
Rui Falcão lidera votação nos presídios de São Paulo
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o ex-presidente nacional do PT Rui Falcão foi o candidato a deputado federal mais votado nas seções instaladas em unidades prisionais. Ele recebeu 144 votos, equivalentes a 6,7% do total registrado nessas urnas.
Apesar da liderança, Falcão não conquistou uma cadeira na Câmara e ficou na suplência.
Outros dois candidatos que apareceram entre os mais votados nesses locais tiveram resultado diferente: Tábata Amaral, do PSB, e Lucas Pavanato, do PL, conseguiram se eleger deputados federais.
Na Bahia, a primeira posição ficou com Jayminho Vieira Lima, do MDB, primo de Geddel Vieira Lima. O candidato superou o voto de legenda do PT por apenas dois votos, mas também terminou a disputa na suplência.
Capitão Alden, do PL, e Jorge Solla, do PT, figuraram entre os nomes mais votados nas unidades prisionais baianas e conquistaram mandatos.
Minas Gerais e Pernambuco contrariam liderança petista
Minas Gerais e Pernambuco apareceram como exceções ao desempenho predominante do PT nas seções prisionais analisadas.
Em Minas, os candidatos Nikolas Ferreira e Igor Santos, ambos do Partido Liberal (PL), se destacaram na votação registrada nesses estabelecimentos e conseguiram se eleger deputados federais.
Menina da Bota, do União Brasil, também apareceu entre os primeiros colocados, mas terminou na suplência.
Pernambuco apresentou uma particularidade: foi o único Estado do levantamento em que os três candidatos mais votados nas seções prisionais conseguiram se eleger.
PT se destaca no Ceará e no Rio Grande do Sul
No Ceará, a candidata Adelita Monteiro, do PT, recebeu a maior quantidade de votos nas urnas instaladas em presídios. A liderança, contudo, não foi suficiente para garantir sua eleição, e ela ficou na suplência.
André Fernandes, do PL, terminou na segunda posição entre os candidatos mais votados nesses locais e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados.
O terceiro lugar ficou com Roger Aguiar, do PSB, que não conseguiu se eleger.
No Rio Grande do Sul, o PT ocupou as três primeiras posições entre os candidatos mais votados nas seções prisionais, com Alexandre Lindenmeyer, Laura Sito e Maria do Rosário.
Dos três petistas, somente Maria do Rosário conquistou uma cadeira na Câmara. Lindenmeyer e Laura Sito ficaram na suplência.
Já no Paraná, a votação apresentou uma distribuição entre candidatos de diferentes correntes políticas.
Roberto Requião, do PDT, recebeu mais votos nas seções prisionais, mas não conseguiu se eleger nem alcançar a suplência.
Ana Júlia e Renato Freitas, ambos do PT e então deputados estaduais, também receberam votação expressiva pelo partido nesses estabelecimentos e conquistaram mandatos de deputados federais.
Rio de Janeiro não registrou votação em presídios
O Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral brasileiro, não realizou votação em estabelecimentos prisionais no primeiro turno das eleições de 2026.
Em 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) havia lançado o projeto “Democracia Além das Grades”, destinado a viabilizar o exercício do voto nesses locais.
Entretanto, unidades que abrigavam presos ligados a facções criminosas foram excluídas do planejamento por razões de segurança.
O Estado também não havia registrado votação em presídios nas eleições de 2022.
Ao todo, três Estados brasileiros ficaram sem votação em estabelecimentos prisionais no pleito de 2026.
Regras do TSE permitem voto de presos provisórios
A legislação eleitoral assegura o direito de voto a presos provisórios, ou seja, pessoas que ainda não possuem condenação criminal definitiva, além de adolescentes submetidos a medidas de internação que atendam aos requisitos legais.
As condições para a votação foram estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio da Resolução nº 23.751/2026.
A norma exigiu que os interessados estivessem com a situação eleitoral regularizada até 6 de maio de 2026 e manifestassem o interesse em votar dentro do prazo estabelecido, até 20 de agosto.
Também foi determinada a existência de pelo menos 20 eleitores aptos para a instalação de cada seção eleitoral, quantidade que poderia incluir servidores e mesários.
Presos que não apresentaram a documentação exigida ou deixaram de cumprir os prazos ficaram fora das listas de votação.
Para as eleições de 2026, o TSE manteve as regras aplicáveis aos presos provisórios depois de suspender a aplicação da chamada Lei Raul Jungmann.
O tribunal considerou que impedir o alistamento eleitoral a menos de um ano das eleições contrariaria o princípio da anualidade eleitoral.
A regulamentação pode ser consultada na Resolução nº 23.751/2026, disponível no site oficial do TSE.
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