A investigação sobre o assassinato da blogueira Rafaella Freire Cabral, de 22 anos, levou à prisão de três pessoas na manhã desta sexta-feira (9), em Teresina. Os suspeitos foram detidos durante uma operação das forças de segurança do Piauí contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, homicídios e atuação de um suposto tribunal do crime.
A ação resultou no cumprimento de nove mandados judiciais, na apreensão de drogas e na localização do veículo apontado como utilizado no assassinato da jovem, ocorrido em 20 de setembro, na zona Leste da capital.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), as diligências tiveram como alvo integrantes de uma célula criminosa identificada durante a investigação conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Investigação liga suspeitos ao assassinato de Rafaella
Rafaella foi morta a tiros dentro de um clube localizado no bairro Satélite, na zona Leste de Teresina. O crime ocorreu em 20 de setembro.
Informações extraoficiais divulgadas após o assassinato apontavam que uma discussão teria ocorrido no estabelecimento antes dos disparos. A jovem foi baleada e morreu no local.
Durante a investigação, policiais do DHPP reuniram indícios de que integrantes de uma organização criminosa poderiam estar envolvidos na morte da blogueira.
A identificação do grupo levou à operação desta sexta-feira, que terminou com três prisões e a apreensão de materiais de interesse para a investigação.
O veículo apontado como utilizado no assassinato também foi localizado durante a ação.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a participação individual de cada preso no crime nem sobre a motivação do homicídio.
Grupo criminoso ameaçava moradores e realizava julgamentos clandestinos
As investigações apontam que a organização atuava no tráfico de drogas e na prática de homicídios em Teresina.
De acordo com a polícia, o grupo mantinha uma estrutura com divisão de funções e utilizava ameaças para intimidar moradores das áreas onde exercia influência.
Os suspeitos também são investigados por utilizar pichações para identificar territórios e impor regras às comunidades.
Outro aspecto apurado é a existência de um suposto “tribunal do crime”, por meio do qual integrantes da organização realizariam julgamentos clandestinos e estabeleceriam punições.
Essas punições poderiam incluir ameaças, agressões e execuções.
Os materiais apreendidos durante a operação serão examinados para ajudar a identificar outros possíveis integrantes do grupo e esclarecer sua participação em crimes investigados na capital.
Operação reuniu equipes especializadas das polícias Civil e Militar
A ação foi coordenada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio de unidades especializadas da segurança pública estadual.
Participaram das diligências equipes do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e das diretorias de Inteligência da SSP-PI e da Polícia Civil.
A Polícia Militar também atuou na operação por meio das Rondas Ostensivas de Natureza Especial (RONE).
O trabalho policial terá continuidade com a análise dos materiais recolhidos e a apuração da responsabilidade dos investigados no assassinato de Rafaella.
Rafaella Cabral tinha 22 anos e deixou dois filhos
Rafaella Freire Cabral compartilhava sua rotina nas redes sociais e reunia mais de 8 mil seguidores no Instagram.
A jovem publicava registros de aulas de jiu-jítsu, ensaios fotográficos e atividades pessoais. Na apresentação do perfil, identificava-se como professora de kitesurf, estudante de Direito e massoterapeuta.
Rafaella deixou dois filhos.
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