Um grupo de mascarados incendiou a prefeitura de Limoges, no sudoeste da França, durante os protestos que atingiram o país na noite de sábado (17). As chamas destruíram o telhado e provocaram o desabamento da torre do relógio de um edifício histórico inaugurado em 1883, que havia atravessado as duas guerras mundiais.
Na manhã deste domingo (18), moradores encontraram a construção parcialmente em ruínas. O fogo atingiu a estrutura neorrenascentista, inspirada na prefeitura de Paris, e derrubou um dos principais símbolos arquitetônicos da cidade: a torre central de 43 metros de altura.
O representante do governo francês na região, Maurice Barate, classificou os danos como uma “catástrofe patrimonial”. Segundo ele, o telhado desabou sobre os andares inferiores, e apenas a ala oeste escapou da destruição. Grande parte da estrutura externa também ficou comprometida.
Antes e depois: a destruição do prédio histórico
O ataque ocorreu em meio a uma onda de manifestações contra a inflação, marcada por episódios de violência, saques e confrontos com as forças de segurança em várias cidades. O 40graus já noticiou os confrontos e as detenções registrados durante os protestos na França.
Mascarados arrombaram a prefeitura enquanto policiais eram superados pela multidão
O prefeito de Limoges, Guillaume Guerin, relatou que o contingente policial local foi rapidamente superado por uma multidão de centenas de pessoas. Segundo ele, os responsáveis pelo ataque quebraram janelas e utilizaram um aríete — instrumento pesado usado para arrombar portas — para derrubar a entrada principal do prédio.
Guerin afirmou que a ação apresentou sinais de planejamento e criticou a forma como o aparato de segurança havia sido distribuído na cidade.
A logística, a organização e a premeditação por trás do ataque de ontem à prefeitura é algo que considero insuportável.
O prefeito, de centro-direita, disse que não havia policiais nacionais disponíveis para proteger o monumento, porque essas forças haviam sido deslocadas para conter os protestos nas ruas.
Eu não tinha um único policial nacional para proteger a prefeitura. Este país vai mal, este país vai muito mal, e é um pequeno prefeito de província quem está dizendo isso.
Guerin ameaçou renunciar ao cargo caso a cidade não receba 1 milhão de euros — aproximadamente R$ 5,69 milhões, segundo a estimativa divulgada — para reparar o edifício.
Moradora compara destruição ao incêndio de Notre-Dame
O desaparecimento de parte da prefeitura abalou moradores que acompanhavam a destruição do monumento. A cena da torre cedendo em meio às chamas trouxe à memória o incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris, ocorrido em 2019.
Françoise Faurie, que presenciou o ataque, contou que pretendia realizar no edifício uma celebração do batizado da neta no mês seguinte. Ao ver a prefeitura em chamas, lembrou-se das imagens da tragédia na catedral parisiense.
Partiu meu coração. Eu vi Notre-Dame toda de novo, só que desta vez era a nossa cidade.
Para os moradores, a perda não se resume aos estragos materiais. Tombado como patrimônio histórico, o prédio reunia mais de um século de história e havia resistido a períodos de devastação muito anteriores aos protestos deste fim de semana.
Outra testemunha, a enfermeira aposentada Edith Lorcen, observava as ruínas na praça neste domingo. “Estou enojada. Estou magoada”, declarou. Apesar da indignação, ela rejeitou a ideia de responder à violência com mais hostilidade: “Mas isso não ajuda em nada se adicionarmos mais ódio por cima do ódio.”
Carro incendiado e telhado destruído marcam cenário de devastação
Fotografias registradas durante a madrugada mostram o fogo consumindo a cobertura e avançando sobre a torre central. Outras imagens, feitas após o incêndio, revelam a estrutura do telhado exposta, janelas danificadas e um automóvel completamente queimado diante da prefeitura.
Sob o céu aberto de domingo, curiosos se reuniram nas proximidades do edifício enquanto especialistas examinavam a extensão dos danos. A avaliação deverá indicar as condições das partes que permaneceram de pé e as necessidades de recuperação do monumento.





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