O plenário da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) aprovou nesta quinta-feira (22) a cessão de um prédio estadual tombado, na Praça da Bandeira, para a Prefeitura de Teresina instalar um shopping popular com capacidade prevista para 500 ambulantes. A adaptação do imóvel, que já abrigou a Companhia Editorial do Piauí (Comepi), poderá custar até R$ 35 milhões, com recursos próprios do município.
O objetivo é reorganizar o comércio informal do Centro da capital, oferecendo um espaço para os trabalhadores e contribuindo para melhorar a circulação de pessoas na região. Na justificativa encaminhada à Alepi, o Governo do Estado também apontou a expectativa de fortalecer a atividade econômica na área central de Teresina.
A proposta envolve a recuperação de um patrimônio histórico que, segundo o Executivo estadual, está desativado e apresenta sinais graves de deterioração. No documento, o governo afirma que o imóvel “encontra-se atualmente desativado e em avançado estado de deterioração” e defende a requalificação e a ocupação contínua como medidas para sua preservação.
Prédio de mais de 160 anos já abrigou oficina de fundição
Construído por volta de 1860 e tombado em nível estadual, o imóvel tem uma história ligada à navegação pelo rio Parnaíba. No século XIX, abrigava o maquinário de uma oficina de fundição que atendia às embarcações a vapor que atracavam no cais da cidade.
Com o declínio da navegação fluvial, o prédio passou a ser utilizado pela Companhia Editorial do Piauí e também funcionou como sede do Diário Oficial do Estado. Ao longo das décadas, sofreu alterações que descaracterizaram parte de sua volumetria original.
A escolha do imóvel para receber o novo shopping provocou discussões entre moradores e especialistas preocupados com a preservação do patrimônio histórico de Teresina. O principal ponto de atenção é a adaptação de uma estrutura tombada para receber uma atividade comercial com grande circulação de pessoas.
O prefeito Silvio Mendes afirmou, ao anunciar a proposta, que a gestão municipal dispõe de um projeto arquitetônico voltado à preservação do edifício. A iniciativa faz parte da tentativa de fortalecer o comércio do Centro, que perdeu espaço com a expansão das atividades comerciais para outros bairros da capital.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) considerou que a adaptação pode ser positiva diante do estado de degradação do imóvel, mas ressaltou que a intervenção precisa respeitar as diretrizes de conservação aplicáveis ao patrimônio tombado.
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