A influenciadora e empresária Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, precisou ser internada após receber o diagnóstico de pielonefrite, uma infecção considerada grave que atinge os rins e pode exigir tratamento hospitalar.
O quadro costuma acontecer quando uma infecção urinária simples se espalha da bexiga para os rins por falta de tratamento adequado.
Bianca contou nas redes sociais que o diagnóstico veio depois que começou a sentir febre e dores nas costas.
Segundo ela, um dos aspectos que lhe chamou a atenção foi a ausência dos sintomas mais conhecidos de infecção urinária quando o problema ainda estava no início.
“Eu não senti dor, nem ardência, nada. Você vai vivendo, sente às vezes uma dorzinha nas costas [e pensa]: ‘vou tomar um remédio e vou trabalhar’. Esse é o perigo”, relatou.
O que é pielonefrite?
A pielonefrite é uma doença causada, geralmente, por bactérias. Como visto, na maioria das vezes, ela começa na bexiga (infecção urinária comum) e “sobe” pelos canais urinários até atingir os rins.
O quadro é muito mais comum entre mulheres e, aliás, não costuma acontecer entre homens com trato urinário de estruturas normais.
Quando a bactéria chega na região renal, provoca uma reação de inflamação, fazendo com que o órgão fique inchado.
Em casos mais graves, podem surgir áreas de destruição do tecido e pequenos abscessos. Além disso, se não tratada, ela pode se espalhar pela corrente sanguínea, causando uma infecção generalizada (sepse).
Quais são as causas?
A principal causa são
bactérias que entram pelo trato urinário. Na maior parte da vezes, a culpa recai sobre a Escherichia coli (E. coli), bactéria que normalmente vive no intestino.
Algumas situações facilitam essa “subida”, principalmente quando há algum problema que dificulta a passagem da urina, como pedras nos rins, estreitamento do canal urinário, tumores, próstata aumentada (no caso dos homens) ou outras alterações no sistema urinário.
Bem mais raramente, a infecção também pode acontecer quando bactérias chegam até os rins pela corrente sanguínea.
Quais são os sintomas?
A pielonefrite costuma causar sintomas mais intensos do que uma infecção urinária restrita à bexiga. Mas vale voltar algumas casas e aprender a identificar a infecção quando ela ainda está no início. Nesse estágio, os sinais mais comuns são:
- Ardência ou dor ao urinar;
- Vontade frequente e urgente de fazer xixi;
- Eliminação de pequenas quantidades de urina;
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.
Já quando as bactérias se espalham para os rins e causam pielonefrite, podem aparecer sintomas como:
- Febre, que pode ser alta;
- Calafrios;
- Dor nas costas ou na lateral do corpo, principalmente na região abaixo das costelas;
- Náuseas e vômitos;
- Cansaço e mal-estar;
- Ardência ou dor ao urinar;
- Aumento da frequência ou da urgência para urinar;
- Urina turva, com sangue ou com alteração no cheiro.
Um ponto importante é que nem sempre o paciente apresenta os sintomas típicos de uma infecção urinária antes de desenvolver pielonefrite.
Por isso, febre acompanhada de dor nas costas ou na lateral do corpo sempre deve ser investigada, mesmo que não haja sintomas urinários.
“Os sintomas da pielonefrite são mais sistêmicos, como febre e dor no corpo, como se estivesse iniciando um quadro de gripe, além de dor abdominal e logo abaixo das costelas. Não necessariamente há sintomas baixos [no trato urinário inferior, formado pela bexiga e a uretra]”, explica a médica Sara Mohrbacher, nefrologista e clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Pielonefrite é grave?
“A pielonefrite pode ser uma infecção muito grave, principalmente quando não tratada a tempo”, afirma Mohrbacher. Isso porque, quando a bactéria chega aos rins, existe o risco de ela alcançar a corrente sanguínea e causar sepse, entre outras consequências.
“A gente não tem apenas a repercussão renal, mas também liberação de substâncias no organismo que podem fazer a pressão baixar, dificuldade para respirar ou mesmo confusão mental“, explica a médica.
Segundo Mohrbacher, o risco de complicações é maior, justamente, entre aquelas pessoas com obstrução ou alterações no trato urinário, além de idosos e gestantes.
Por isso, diante de sintomas compatíveis, é importante procurar atendimento médico imediatamente.
Como é feito o tratamento?
Para o diagnóstico, o médico considera os sintomas, exame físico e exames de urina para identificar a presença de bactérias.
Em alguns casos, também são necessários testes de sangue e de imagem, principalmente quando há suspeita de pedra, obstrução ou outra alteração que esteja favorecendo a infecção.
Uma vez revelada, a doença é tratada, geralmente, com antibióticos e, dependendo da gravidade do quadro, pode ser necessário tratamento no hospital e administração dos medicamentos pela veia.
Dá para prevenir?
Nem todos os casos podem ser evitados, mas algumas medidas ajudam a reduzir o risco de infecções urinárias. Assim, Mohrbacher dá algumas dicas para afastar as chances de infecções, como:
- Ingerir bastante líquido para produzir urina e ajudar a eliminar bactérias;
- Tentar urinar depois de uma relação sexual;
- Não usar espermicidas;
- Evitar produtos específicos para lavar a região genital; usar água e sabão;
- Ao se limpar, sempre passar da região vaginal para a anal, para evitar levar bactérias da região anal para a uretra.
Por fim, o ponto principal é não ignorar uma infecção urinária. Quando a bactéria deixa a bexiga e chega aos rins, o quadro muda de gravidade e precisa de tratamento adequado.