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Saúde

Diabetes felina: novo comprimido evita uso de insulina em gatos recém-diagnosticados

Gatos recém-diagnosticados com diabetes agora tem uma nova opção de tratamento além das injeções de insulina. Trata-se da bexaglifozina, primeira droga em comprimido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o controle dos níveis de glicose em felinos.

O medicamento pertence à classe dos inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), uma categoria de fármacos já consolidada na medicina humana para o tratamento do diabetes tipo 2 e da doença renal crônica — e que agora passa também a ser uma opção para pets.

A medicação é produzida pela farmacêutica Elanco e comercializada com o nome de Bexacat.

Como funciona?

Enquanto a insulina, até então única alternativa farmacológica para animais com a doença, atua reforçando a ação insuficiente do pâncreas, os inibidores do SGLT2 atuam sobre os rins, que também tem um importante papel na regulação da glicemia.

Isso porque, quando o sangue passa por eles para ser filtrado, algumas proteínas presentes no órgão são responsáveis por reconhecer a glicose e o sódio (as tais SGLT) para que o açúcar retorne para a corrente sanguínea ao invés de ser encaminhado para a bexiga e, então, eliminado na urina.

O novo medicamento trabalha inibindo essas proteínas presentes nos rins — mais especificamente a SGLT2, que é responsável por cerca de 90% da reabsorção da glicose nesses órgãos.

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Com essa importante via bloqueada, a maior parte da glicose deixa de voltar para o sangue, sendo . Esse processo de eliminação da glicose na urina é chamado de .

“Outro efeito do medicamento é o baixo risco de hipoglicemia“, afirmou a veterinária Viviane Di Marco, fundadora da Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária (ABEV), em evento de lançamento do medicamento. “O fármaco inibe exclusivamente o SGLT2. Já o SGLT1 continua atuando na reabsorção de cerca de 10% da glicose no sangue. É o bastante para criar um equilíbrio metabólico.”

A bexaglifozina é um medicamento de efeito rápido, sendo capaz de reduzir a um terço a concentração média de glicose no sangue em até 8 horas. Em estudo clínico com 125 gatos, o controle glicêmico foi contínuo ao longo de seis meses.

Indicações

A bexaglifozina é indicado para gatos recém-diagnosticados, que nunca fizeram uso de insulina e tem um bom estado geral de saúde.

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“Em estudos clínicos, foi observada uma menor taxa de eficácia para animais que já se tratavam com insulina, além de um maior risco de cetoacidose diabética“, justifica Di Marco.

A cetoacidose diabética é uma complicação da doença que ocorre quando há falta de insulina. Sem o hormônio, o corpo não consegue captar a glicose e, por isso, passa a queimar gordura para produzir energia. O processo, no entanto, gera moléculas chamadas corpos cetônicos, que são prejudiciais à saúde. Elas se acumulam rapidamente no sangue e o tornam ácido.

Sinais como sede e cansaço extremo são um alerta para o quadro, que é uma emergência e pode levar o animal a óbito caso não seja revertida.

Eventos adversos

O Bexacat é um medicamento seguro, mas pode causar efeitos leves como diarreia e vômito.

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Por conta do risco de cetoacidose diabética, o animal deve ser bem monitorado pelo veterinário e pelo tutor no primeiro mês de administração do remédio. A indicação é realizar a dosagem de cetonas a cada 1 ou 3 dias na primeira quinzena do tratamento e ir espaçando as checagem nas semanas seguintes. O médico responsável saberá orientar o acompanhamento.

Apresentação

O medicamento é produzido em comprimidos. A administração é feita de forma oral, uma vez ao dia. A dose não varia de acordo com o peso, nem com a idade do animal — o que também facilita a administração pelo tutor.

Cada caixa vem com 30 comprimidos com sabor de carne. O valor ainda não foi divulgado.

Diabetes em gatos

O diabetes mellitus não é uma doença exclusiva dos humanos. Estima-se que um a cada 230 felinos tenha a glicose descontrolada. O risco é maior entre animais machos, sêniores, com excesso de peso e com doença renal crônica.

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Os principais sinais de alerta são aumento da sede, do apetite e da urina, que podem ser acompanhados de perda de peso repentina.

O diagnóstico é feito por exames que quantificam a glicose no sangue e na urina. O tratamento exige uso de medicações, controle do peso, adequação da dieta e reforço da hidratação. Por ser uma doença crônica, os cuidados são para toda a vida — ainda que alguns animais possam atingir a remissão.

Fonte

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