A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, nesta sexta-feira (9), que rejeitou a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sem que o empresário prestasse depoimento oral. Os motivos da recusa foram comunicados à defesa, mas permanecem sob sigilo.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, todas as negociações ocorreram por intermédio dos advogados contratados por Vorcaro. O órgão afirma que não houve contato direto entre o empresário e representantes da instituição durante as tratativas.
A PGR também informou que recebeu as propostas encaminhadas pela defesa e não estabeleceu impedimentos antecipados à sua apresentação. Apesar disso, as negociações não resultaram em um acordo de colaboração premiada.
Procuradoria rejeitou proposta antes de depoimento
Na manifestação divulgada nesta sexta-feira, a PGR afirmou ter recebido todas as propostas formalizadas pela defesa nos termos apresentados pelos advogados, “sem juízo nem recusas prévias”.
O órgão confirmou que Daniel Vorcaro não chegou a ser ouvido pessoalmente durante as negociações.
“Não houve depoimento oral do senhor Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, afirmou a Procuradoria.
A instituição não revelou quais informações o empresário pretendia apresentar em uma eventual colaboração, tampouco esclareceu os fundamentos que levaram à rejeição.
Segundo a PGR, os detalhes estão protegidos pelo sigilo legal aplicável aos procedimentos de negociação de acordos de colaboração premiada.
Mensagens e encontro em Londres expõem relação entre Vorcaro e Paulo Gonet
A rejeição da delação ocorre em meio à divulgação de registros envolvendo Daniel Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mensagens de WhatsApp atribuídas ao empresário fazem referência ao chefe da PGR. Entre os episódios relatados está uma viagem a Londres realizada por um filho de Gonet, que teria sido custeada por Vorcaro.
Também foi divulgada uma fotografia de abril de 2024 em que o empresário e o procurador-geral aparecem durante uma confraternização na capital britânica, com charutos e uísque.
Os registros mostram contatos sociais anteriores entre os dois. Entretanto, não há demonstração de que esses encontros tenham interferido na análise da proposta apresentada pela defesa.
A PGR não informou se a relação entre Vorcaro e Gonet teve alguma influência sobre as negociações. O conteúdo oferecido pelo empresário e os fundamentos da rejeição continuam sem divulgação pública.
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