O papa Leão XIV pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, uma trégua na cidade ucraniana de Oleshky para permitir a entrada de alimentos e medicamentos e a retirada segura de civis. O apelo ocorreu durante uma conversa telefônica nesta sexta-feira (16), em meio à grave crise humanitária enfrentada pela população da localidade, situada na região de Kherson, no sul da Ucrânia.
O pontífice fez o pedido enquanto permanece internado no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, onde se recupera de uma cirurgia no pulmão realizada na última terça-feira (13).
A iniciativa busca abrir espaço para uma operação de socorro aos moradores de Oleshky, cidade sob ocupação russa desde 2022 e localizada em uma área de intensa tensão militar.
Papa pede alimentos, medicamentos e saída segura de civis
Em comunicado divulgado após o telefonema, a Santa Sé informou que Leão XIV manifestou preocupação com as condições enfrentadas pelos moradores e solicitou a suspensão dos combates para viabilizar a assistência humanitária.
O pedido foi feito com o objetivo de permitir a chegada de suprimentos essenciais e garantir que os habitantes possam deixar a cidade voluntariamente, sem colocar suas vidas em risco.
O comunicado do Vaticano destacou a solicitação do pontífice:
“Pedindo uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil.”
Oleshky fica às margens do rio Dniepre, na região de Kherson, e enfrenta sérias dificuldades de abastecimento em consequência da guerra. O acesso à localidade e a saída de moradores são dificultados pelas condições de segurança.
Além da necessidade imediata de alimentos e medicamentos, o Vaticano defende a criação de condições que permitam a retirada voluntária das pessoas que desejam abandonar a região.
Putin concorda em cooperar, mas não confirma cessar-fogo
Após a conversa, o Kremlin informou que Vladimir Putin manifestou apoio à proposta humanitária apresentada pelo Vaticano.
O governo russo afirmou estar disposto a cooperar para garantir a segurança dos moradores e organizar o envio de suprimentos essenciais à população de Oleshky.
Apesar da manifestação favorável à iniciativa, Moscou não anunciou um compromisso específico com o cessar-fogo solicitado pelo papa.
Também não foram divulgados detalhes sobre o funcionamento da operação, eventuais corredores humanitários, datas para a distribuição de alimentos ou condições para a retirada dos moradores.
Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre os obstáculos à chegada de ajuda à população. A cidade permanece sob controle russo, enquanto as forças ucranianas buscam recuperar áreas ocupadas desde o início da invasão em fevereiro de 2022.
A ausência de um acordo formal de trégua mantém incertas as condições para executar a proposta humanitária.
Leão XIV mantém atuação diplomática durante recuperação
O telefonema ocorreu três dias após o papa passar por uma cirurgia para retirada de um adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer.
O procedimento foi realizado no Hospital Gemelli, em Roma, com a remoção do lobo inferior do pulmão direito.
Segundo as informações médicas divulgadas pelo Vaticano nesta sexta-feira, a recuperação do pontífice apresenta evolução favorável. Leão XIV já consegue realizar atividades cotidianas de maneira autônoma e celebrou uma missa no hospital.
Mesmo durante a internação, o líder da Igreja Católica continua acompanhando assuntos diplomáticos e questões internacionais.
A conversa com Putin demonstra a continuidade das iniciativas do Vaticano voltadas à assistência às vítimas da guerra e à busca por soluções negociadas para o conflito.
Segundo telefonema entre o papa e o presidente russo
Esta foi a segunda conversa telefônica conhecida entre Leão XIV e Vladimir Putin desde o início do pontificado.
O primeiro contato ocorreu em 4 de junho de 2025, quando o papa defendeu a importância do diálogo para encontrar uma solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Na ocasião, o pontífice também apresentou o Vaticano como possível espaço para futuras negociações de paz.
A Santa Sé mantém iniciativas diplomáticas e humanitárias relacionadas ao conflito, incluindo esforços para facilitar a troca de prisioneiros e o retorno de crianças ucranianas.
O pedido desta sexta-feira concentra-se em uma necessidade imediata: aliviar o sofrimento dos civis que permanecem em Oleshky.
Por enquanto, a Rússia sinalizou disposição para cooperar com o envio de ajuda e a proteção da população, mas não confirmou a suspensão dos combates. Sem uma trégua definida, a chegada de alimentos, medicamentos e a retirada segura dos moradores continuam dependendo de novos entendimentos.
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