O Orkut pode ganhar uma nova versão, mais de uma década depois de seu encerramento. O engenheiro de software Orkut Büyükkökten, criador da rede social que marcou uma geração de brasileiros, publicou uma carta aberta em que critica os rumos da internet e pede apoio dos usuários para construir plataformas voltadas às relações humanas, sem o domínio de algoritmos e conteúdos produzidos por inteligência artificial.
O manifesto foi publicado no site oficial do Orkut e acompanhado de uma petição online. A iniciativa pretende medir o interesse do público em uma alternativa às redes sociais atuais, que, na avaliação do desenvolvedor, abandonaram a proposta de aproximar pessoas para priorizar publicidade, engajamento e tempo de permanência nas plataformas.
Büyükkökten argumenta que a internet deixou de valorizar as conexões autênticas e passou a funcionar como um ambiente dominado por mecanismos de captura de atenção.
Apesar da mobilização, ainda não há data confirmada para o retorno do Orkut nem anúncio oficial de lançamento de uma nova plataforma.
Criador do Orkut critica internet dominada por algoritmos
Na carta aberta, intitulada Uma internet mais gentil é possível, Büyükkökten afirma que o modelo adotado pelas grandes plataformas ao longo dos últimos 20 anos transformou profundamente a experiência dos usuários.
Segundo ele, as redes sociais passaram a desenvolver sistemas destinados a manter as pessoas conectadas pelo maior tempo possível, em vez de estimular amizades e interações verdadeiras.
O engenheiro critica especialmente os feeds organizados por algoritmos, que selecionam conteúdos com base no potencial de engajamento e exposição publicitária.
Na avaliação do criador do Orkut, esse modelo contribuiu para o isolamento, a ansiedade e a divisão entre usuários, especialmente entre as gerações que cresceram utilizando essas plataformas.
Inteligência artificial ameaça autenticidade das redes sociais, diz fundador
Outro alvo das críticas é o avanço da inteligência artificial, que tornou mais difícil distinguir interações humanas de conteúdos produzidos automaticamente.
Büyükkökten cita a multiplicação de perfis automatizados, vídeos falsificados, agentes virtuais e publicações sintéticas como problemas que comprometem a confiança nas redes sociais.
Para o desenvolvedor, a presença cada vez maior desses recursos coloca em risco uma característica essencial da internet social: a possibilidade de saber que existe uma pessoa real do outro lado da conversa.
O fundador reconhece o potencial tecnológico da inteligência artificial, mas questiona seu uso em plataformas que deveriam priorizar a convivência entre pessoas.
Sua proposta é recuperar espaços digitais nos quais a participação humana tenha mais importância do que os números de visualizações, curtidas e interações.
Comunidades do Orkut são apontadas como exemplo
As antigas comunidades do Orkut ocupam um lugar central na proposta de Büyükkökten.
O engenheiro afirma que esse é um dos recursos mais lembrados pelos usuários da rede social, justamente porque permitia reunir pessoas com interesses semelhantes.
Havia comunidades dedicadas a hobbies, profissões, hábitos cotidianos e assuntos específicos, nas quais os participantes podiam conversar e compartilhar experiências.
Diferentemente dos feeds atuais, organizados principalmente para exibir publicações e estimular o consumo contínuo de conteúdo, as comunidades funcionavam como espaços de participação coletiva.
Para o criador da plataforma, a diferença está entre utilizar uma rede social apenas para consumir publicações e fazer parte de um grupo com interesses e vínculos reais.
O modelo das comunidades aparece, assim, como uma das principais referências para o ambiente digital que Büyükkökten pretende reconstruir.
Orkut já havia anunciado planos de retorno em 2022
A possibilidade de uma nova versão da rede social não surgiu agora.
Em abril de 2022, o endereço oficial do Orkut voltou a apresentar uma mensagem de seu fundador, anos depois do encerramento da plataforma.
Na ocasião, Büyükkökten revelou que trabalhava em um novo projeto voltado à criação de ambientes digitais mais saudáveis, com foco no combate ao ódio e à desinformação.
O site também passou a permitir o cadastro de endereços de e-mail de pessoas interessadas em receber novidades.
A mobilização anunciada em 2026 retoma essa proposta, mas agora enfatiza os efeitos dos algoritmos e o crescimento da inteligência artificial nas redes sociais.
Petição pede apoio de antigos usuários
Para avaliar o interesse do público, Büyükkökten disponibilizou uma petição no site oficial da iniciativa.
Os interessados podem registrar apoio e compartilhar cartões virtuais com amigos, incentivando outras pessoas a participar da mobilização.
A campanha não representa a reativação imediata do antigo Orkut, mas uma tentativa de reunir usuários em torno da proposta de criar uma experiência digital diferente das plataformas atuais.
O desenvolvedor defende uma internet construída sobre amizades, confiança, curiosidade e participação em comunidades, em oposição ao modelo que privilegia a retenção de usuários e a publicidade.
A petição está disponível no endereço oficial orkut.com.
Por enquanto, o projeto permanece na fase de mobilização. Não foram divulgados detalhes sobre funcionamento, recursos, disponibilidade ou possível lançamento de uma nova rede social.
Comentários 0