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ONG denuncia agravamento da repressão nas prisões de Cuba

A ONG Prisoners Defenders informou, nesta quinta-feira, 7, que Cuba registrou 11 novos presos políticos em outubro. O relatório descreve um cenário de superlotação, tortura e surtos de doenças infecciosas que resultaram na morte de centenas de detentos em todo o país.

A organização, reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos, alertou para o aumento da repressão estatal. Segundo o documento, a perseguição agora atinge não apenas ativistas, mas também cidadãos sem militância política, em meio a uma grave crise social e sanitária.

A perseguição em Cuba atinge não apenas ativistas, mas também cidadãos sem militância política | Imagem: Divulgação/ Prisoners Defenders

O texto afirma que o governo restringe direitos como liberdade de expressão, reunião e manifestação. O endurecimento da repressão ocorre enquanto as condições de vida na ilha se deterioram, o que tem levado mais pessoas a protestarem contra o regime.

O relatório da Prisoners Defenders concluiu que a repressão em Cuba é “estrutural e sistemática” e pediu ação da comunidade internacional diante da gravidade da situação.

Cuba: uso do sistema penal contra manifestantes

A ONG afirmou que as prisões cubanas se transformaram em “focos de doença e morte”, agravadas pela falta de atendimento médico, desnutrição e violência institucional.

Entre os casos documentados, estão quatro manifestantes pacíficos de Manicaragua: Raymond Martínez Colina, Carlos Hurtado Rodríguez, Osvaldo Agüero Gutiérrez e Yoan Pérez Gómez. Eles foram condenados por “desordem pública” depois de protestar em 20 de outubro de 2024 contra a falta de energia elétrica.

O tribunal de Villa Clara aplicou penas de cinco a seis anos de prisão, mesmo sem provas de violência. Segundo o relatório, o caso mostra o uso do sistema judicial para punir o exercício pacífico de direitos fundamentais.

Outro caso emblemático é o de Leonard Richard González Alfonso, preso em Havana por “propaganda contra a ordem constitucional” depois de afixar cartazes críticos ao governo. Diagnosticado com transtorno de personalidade e histórico de tentativas de suicídio, ele permanece sem atendimento médico na prisão Combinado del Este.

A repressão também alcançou os irmãos Manuel e Yunia Caballero Oduardo, de 21 e 19 anos. Eles receberam condenação por “desacato” e “atentado”. A organização afirma que as acusações criminalizam a pobreza e a vulnerabilidade social.

O ativista Mario Víctor Liqui Rodríguez, ligado aos movimentos Cuba Decide e Aliança Republicana Cubana, foi preso em Havana por agentes das “boinas negras”. A família desconhece seu paradeiro, o que levanta suspeitas de desaparecimento forçado.

Doenças, fome e protestos em meio à crise carcerária

As prisões sofrem com surtos de dengue, tuberculose, febre de Oropouche e chikungunya. A escassez de comida e medicamentos agrava o quadro. O furacão Melissa piorou as condições sanitárias no leste do país e obrigou a evacuação parcial da prisão de Aguadores, em Santiago de Cuba.

A lista de prisioneiros políticos em Cuba chegou a 1,1 mil em 31 de outubro, segundo a ONG. Nos últimos 12 meses, houve o registro de 155 novos casos. Desde julho de 2021, 1.906 pessoas foram presas por motivos políticos.

Prisioneiros políticos em Cuba
Prisioneiros políticos em Cuba | Imagem: Divulgação/ Prisoners Defenders

Entre os detidos, 35 são menores de idade e 123 são mulheres. A ONG identificou 463 presos com doenças graves e 40 com transtornos mentais sem tratamento.

Via Revista Oeste

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